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Exclusivo: Entrevista com Mateus Sales, o criador de Duck Souls+

Exclusivo: Entrevista com Mateus Sales, o criador de Duck Souls+

Recentemente nós publicamos em nosso site uma notícia falando sobre Duck Souls+, um jogo brasileiro que está sendo amplamente comentado pelas principais mídias nacionais e internacionais.

Para quem não conhece, Duck Souls+ é um jogo de plataforma/ação, em que um pato tem a missão de encontrar todos os ovos para salvar a sua espécie.

Hoje, 27 de março, o jogo fez o seu lançamento no Nintendo Switch, e para comemorar nós do ‘Project N’ batemos um papo com o Mateus Sales, criador do jogo, para entender melhor sobre o jogo e também como foi essa experiência para ele.

Project N – Como foi seu caminho para se tornar programador de jogos?

Mateus Sales – Na minha cabeça programar era algo surreal, que apenas seres humanos com habilidades que beiravam a magia eram capazes de fazer, mas um dia um ex-colega de trabalho meu disse que estava fazendo um jogo por conta própria e que estava usando um motor que tornava o processo todo um pouco mais acessível. Naquela época eu já havia desenvolvido o meu interesse por jogos então eu imediatamente perguntei para ele como aquilo tudo funcionava e após alguns meses praticando eu consegui lançar o meu primeiro jogo na Steam, o Pinkman. Como a lógica de programação é algo que você vai sempre poder levar com você quando for aprender outras linguagens, recomendo fortemente aos novos desenvolvedores que comecem com algo simples da mesma maneira que eu comecei, pois isso torna o processo um pouco mais “amigável” e menos frustrante, assim diminuindo as chances de você sentir vontade de desistir no meio do caminho.

Project N – Qual o seu histórico com consoles e jogos Nintendo?

Mateus Sales – O meu histórico com jogos no geral é um pouco fraco, por algum motivo eu não fui uma criança muita ligada a jogos, eu gostava mais de correr e brincar na rua. Porém, quando eu tinha uns 13 anos o meu pai me deu um Game Boy Advance SP e eu imediatamente me apaixonei por ele. Foi naquela época que eu comecei a entender melhor a emoção de jogar um bom jogo, porque eu finalmente havia conseguido me imaginar pela primeira vez dentro do jogo, como se fosse eu mesmo lá dentro com uma espada e um escudo lutando contra vários monstros. Esse foi o meu primeiro passo, pois eu havia finalmente desenvolvido o meu gosto por jogos no geral, mas não necessariamente pela Nintendo, eu ainda não havia entendido que eles eram sinônimo de qualidade na indústria. A minha ficha só caiu em relação a isso recentemente quando eu percebi que o que eu busco nos jogos que eu mesmo quero jogar ou até mesmo criar é exatamente o que a Nintendo sempre ofereceu: diversão. Acho que antes de começar a valorizar mais a Nintendo e entender qual é a filosofia deles, eu era até um pouco preconceituoso com alguns jogos que hoje eu sinto prazer em jogar.

Project N – Você trabalhou diretamente com programação no Nintendo Switch? Como foi sua experiência?

Mateus Sales – Não, infelizmente nenhum dos consoles da geração atual oferece compatibilidade para o motor que eu uso diariamente no trabalho, então até o momento eu havia sido restringido a fazer a distribuição dos meus jogos através da Steam (PC), porém, a publisher com quem eu fechei contrato possui a tecnologia necessária para criar um versão do jogo que roda nativamente em qualquer plataforma, isso se deve ao fato de que tudo foi reconstruído numa linguagem de nível mais baixo que possui uma comunicação mais “direta” com o hardware de cada console, no caso se trata de C++. Mas, no geral acho que a minha experiência e a da publisher foram bem tranquilas, eu tive apenas que implementar algumas coisas novas no jogo, como a troca de idiomas por região, enquanto eles lidavam com o port e a documentação.

Project N – Como surgiu a ideia de Duck Souls+?

Mateus Sales – Eu sempre fui bastante fã de jogos de plataforma e após lançar o Pinkman (meu primeiro jogo) eu queria muito explorar essa mecânica de dash, pois eu havia acabado de testar a versão PICO-8 de Celeste e achei a mecânica muito versátil no geral, sendo perfeita para explorar a minha parte favorita no desenvolvimento de jogos: level design. No final eu acabei criando 20 mecânicas complementares e 100 fases/salas para jogo, totalizando aproximadamente 1-2 horas de gameplay.

Project N – Porque o nome Duck Souls+? (Referência a Dark Souls?)

Mateus Sales – Sendo bem sincero, eu ainda tenho um pouco de dificuldade de acreditar que eu realmente coloquei esse nome para o jogo, pois agora com tanta gente olhando parece meio bobo. Mas, tudo começou lá em 2016, no meu primeiro ano de faculdade, quando eu estava falando com um amigo meu sobre a ideia de fazer um jogo de plataforma onde a mecânica principal seria um dash e o jogador passaria por várias fases com diversos tipos de obstáculos. Como esse meu amigo já havia jogado o Pinkman, ele sabia que eu tinha o costume de fazer jogos com fases um pouco difíceis, então ele sempre dizia “O seu jogo é mais difícil que Dark Soul!”. No começo era só um meme entre a gente, mas quando ele descobriu que o personagem principal era um pato ele começou com essa piada de “Duck Souls” e eu só para tirar sarro dele ou de certa forma homenageá-lo acabei realmente registrando o jogo na Steam como “Duck Souls”. Era só uma piada boba entre amigos, mas acabou virando até headline de alguns portais por aí.

Project N – E para finalizar, qual seu jogo preferido da Nintendo?

Mateus Sales – É muita responsabilidade escolher apenas um sem ser criticado, mas vou fazer o melhor para explicar o porque da minha escolha, que no caso é: Super Metroid do SNES. É um pouco irônico, mas eu mal joguei esse título específico da franquia Metroid, o motivo principal de eu ter escolhido ele é porque eu sinto que ele foi um dos meu primeiros contatos positivos com jogos. Quando eu tinha uns 6 anos eu sempre visitava um primo meu que já havia feito o save 100% do jogo e ele sempre me mostrava o arsenal incrível que a Samus usava, as passagens secretas de cada área, os monstros que ele enfrentava e eu achava aquilo a coisa mais legal do mundo quando combinado com a minha imaginação de criança. Eu já terminei o Metroid Fusion e o Metroid Zero Mission tantas vezes que eu já até perdi a conta, mas o Super Metroid em si eu nunca terminei, não porque eu não acho ele um bom jogo, eu só não “criei coragem” ainda, mas mesmo assim ele continua sendo o meu favorito pela importância que ele tem na minha vida.

Mateus finalizou agradecendo ao Project N:

Mateus Sales – Eu gostaria de aproveitar o momento para agradecer de coração ao autor da matéria original sobre o Duck Souls+ aqui no site (Neto Verneque) e também agradecer o Paulo Victor por ter me convidado para fazer essa breve entrevista. Eu me sinto verdadeiramente honrado por ter essa oportunidade, pois se trata de um site que ao me ver possui características admiráveis como conteúdo atualizado e livre opiniões muito pessoais, em outras palavras: jornalismo em sua melhor forma. Gostaria também de deixar o meu incentivo para aqueles que têm interesse em ingressar no mundo do desenvolvimento de jogos, pois se é isso que você realmente almeja, siga em frente sempre tendo em mente que um dia até a sua liberdade podem tirar de você, mas o conhecimento que você adquiriu e a credibilidade que você recebeu pelo seu trabalho vão ser seus para sempre. Se precisarem de algo, não hesitem em entrar em contato comigo, vou ficar feliz em ajudar. Tudo de melhor para vocês, queridos(as)!


Para quem se interessou pelo game, ele está em preço promocional na eShop (20% de desconto) e está saindo por U$3,99, vale super a pena conferir. Abaixo vocês podem conferir o trailer de lançamento do jogo:

Nós do Project N ficamos imensamente felizes em saber que cada vez mais existem jogos brasileiros no mercado, e ficamos super honrados pela entrevista concedida pelo Mateus Sales, além de desejarmos toda a sorte do mundo para Duck Souls+ e para os próximos projetos que virão.

Paulo Victor
Gamer mineiro apaixonado pela Nintendo desde criança. Acredita que Pikmin 4 chegará em um futuro próximo. Instagram: @pvgm91 Twitter: @_paulo_victor F.C: 6972-9848-6184