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Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Eu alugo, você entrega?

Eu alugo, você entrega?

Sexta-feira. Dia de aventuras. Dia de segurar a ansiedade e cobrar os pais sobre que horas vamos na “locadora”. Sim, pra você que não viveu (e pelo jeito nunca vai viver, sorry) a emoção de chegar naquele lugar mágico e adentrar aqueles corredores temáticos como um “Dungeon” de JRPG e escavar tesouros novos ou reviver antigas aventuras.

Cada corredor tinha um nome: Comédia, Ação, Terror, e tinha até uma fase escondida chamada: APENAS ADULTOS, escondida num calabouço ou por uma cortininha sem vergonha, mas isso fica pro outra coluna (não mesmo).

Eu alugo, você entrega?
Labirintos temáticos.

Chegar na seção/fase de escolha de games era até fácil pois cada console tinha seu espaço milimetricamente dividido e ninguém ousava sair daquele pedaço de solo sagrado. As caixas determinavam qual jogo você poderia levar e qual aventura seria vencida (ou perdida) naquele final de semana. Aquela escolha representava um compromisso sagrado com aquele menino verde chamado “Zelda“, ou o robozinho azul Megaman/Rockman ( da primeira vez achei que eram irmãos), com os sapinhos irmãos marrentos (Battletoads) e muitos outros jogos divertidos e difíceis demais pra serem finalizados em um fim de semana.

Eu alugo, você entrega?
Tantas aventuras e só 2 dias pra jogar.

A alegria de poder repetir o mesmo jogo dois finais de semana seguidos só era menor que a tristeza de não encontrar o mesmo lá, sendo forçado a tentar um novo mundo e outras estórias. Acreditar na palavra do dono que o jogo era bom e divertido ( pra eles todos eram bons) apesar da capa genérica indicar outra coisa era como encontrar um feiticeiro na taverna dando a “Quest” pra salvar o Reino.

Eu alugo, você entrega?
Jogão, pode levar!

Escolher era uma arte de paciência, sorte e ás vezes de velocidade pra pegar aquele jogo antes de outro aventureiro, sempre respeitando a regra de quem pegou primeiro. Uma tentativa de barganha acontecia (poucas vezes ela dava certo) e a escolha era feita. Se um aventureiro ousasse desrespeitar as regras era rapidamente repreendido pelo mestre do tesouro (dono da locadora). Alguns trapaceiros usavam uma magia secreta de reservar o jogo pagando adiantado. Uma prática deplorável (todo mundo fazia isso, eu inclusive).

Eu alugo, você entrega?
Código pra reservar um jogo.

Chegar em casa, negociar a hora pra jogar ou correr pro quarto pra iniciar a aventura eram os próximos passos dessa “Quest”, sabendo sempre que ela iria acabar na segunda-feira quando tudo era devolvido e apenas as lembranças e as discussões com os colegas de escola sobre como passar de tal fase era o que sobrava até o próximo fim de semana onde tudo começava de novo. Não havia pressa, nem manual ou guia na internet pra ajudar. Apenas a paixão pelos jogos, pela aventura e por descobrir novos mundos independente do protagonista ou do enredo, (todos os Megaman tem o mesmo enredo, e daí?) ou da dificuldade. Não quero ser saudosista (mentira), mas que saudades de quando um jogo era apenas uma aventura de final de semana.

Eu alugo, você entrega?

Um Mega abraço. Até semana que vem.


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

NEStálgico
Nerd, nostálgico, pai e professor. Reclamador profissional com PHD em Harvard. Conheço o Mario, e daí? Assopra a fita e bora jogar!