Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Por que é tão difícil encontrar mídia física da Nintendo no Brasil?

Por que é tão difícil encontrar mídia física da Nintendo no Brasil?

Provavelmente você já se perguntou qual é o motivo responsável por fazer a Nintendo vender giftcards e jogos digitais por um lado, mas não disponibilizar a compra de mídia física no mercado Brasileiro. Nesse texto vamos te ajudar a desvendar alguns dos entraves relacionados a distribuição de jogos físicos. Bora lá!

Nós já discutimos aqui a quantidade de impostos que incidem sobre os aparelhos de videogame, os consoles em si. Quando tratamos de mídia física a lógica se mantém, então se quiser entender um pouco mais da uma olhadinha nesse artigo aqui.

O mercado Brasileiro é super complexo (entre impostos, burocracia e legislação complicada), portanto é comum que muitas empresas internacionais encontrem problemas ao operar aqui. É necessário encontrar formas eficientes de operar no Brasil, e é lógico que no mercado de jogos a situação não é muito diferente. Para driblar os problemas do mercado interno, as distribuidoras de jogos precisam encontrar um método de comercialização que seja o suficiente para que o valor da mídia física não supere o digital. Isso é importante pois se o custo de vender a mídia física for muito elevado, o investimento pode não ser muito rentável, esse é o fator que leva algumas distribuidoras a optarem pela comercialização apenas digital.

Podemos citar EA, Ubisoft e CD Projekt Red como exemplos de distribuição. Essas três gigantes têm uma coisa em comum: Não possuem instalação no Brasil mas seus jogos fabricados em solo tupiniquim. Elas cedem a operação da sua marca (e dos seus games) para empresas nacionais, e ganham em troca a tranquilidade de não se preocupar com o mercado Brasileiro. O modelo funciona muito bem, no caso das empresas que citamos, todas são operadas pela Warner Bros Games (WBGames). A WBGames cuida desde o marketing físico e digital até as parcerias para produção e distribuição dos discos. Aqui é o ponto crucial para distribuição no Brasil, a grande maioria dos discos vendidos aqui são fabricados dentro do Brasil mesmo, através de parcerias.

E por quê? As fábricas especializadas estão localizadas em um lugar especial, é a Zona Franca de Manaus, logo essas empresas possuem isenções fiscais (não pagam impostos), tanto na venda dos seus produtos como na compra de matéria-prima. Sabe aquele tal do IPI, ICMS? Eles não são cobrados na Zona Franca de Manaus, o que torna a produção mais barata em Manaus, do que seria em qualquer outro lugar aqui do Brasil, também através de importação.

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Produzimos discos de PlayStation e Xbox à baixo custo, sem pagar vários impostos. Assim é possível vender e distribuir esse jogo pelo mesmo preço, ou até mais barato, que a sua versão digital.

A Nintendo por sua vez opta por um padrão proprietário diferente, os famosos cartuchinhos. Essa escolha diferenciada é fundamental para entender o nosso problema. Se por um lado, os pequenos cartuchinhos de Nintendo Switch se adequam perfeitamente ao usuário trazendo a portabilidade que o console tanto almeja, por outro lado, a Nintendo prefere manter um controle próximo da sua produção proprietária, por isso os cartuchos são fabricados apenas no Japão.

Quando nós falamos que todos os cartuchos são fabricados no Japão nós podemos deduzir uma consequência direta, a de que todos os cartuchos serão importados de lá. Seja você um colecionador ou quem tem apenas uma ou duas caixinhas em casa, tenha certeza de que elas possuem “made in japan” em sua embalagem.

A fabricação e operação interna é o fator que torna possível a venda dos jogos por aqui, a Nintendo por outro lado tem uma política completamente diferente. Ela tem sua própria mídia e ela mesma fábrica e controla sua produção. Não é tão “fácil” só disponibilizar o software para que um parceiro brasileiro “se vire”. Importar aqui para o Brasil geraria uma taxação bem alta para o lado da Nintendo, em preços que se assimilariam até aos que o mercado cinza aplica hoje. Imagina trazer o cartuchinho e ter que pagar mais que 60% de imposto em cada lote? Isso é claro, sem contar com a legislação que necessita que a empresa obedeça certas regras.

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A melhor alternativa que a Nintendo encontra para operar de forma eficiente, cortando vários custos, restante é através de giftcards. Esses conseguem ter um baixo custo logístico e fácil produção, já que o mercado de giftcards é muito popular no Brasil pra diversos segmentos da indústria do entretenimento. É mais fácil encontrar uma terceirizada para fabricar esses cartões do que trazer os cartuchos para o Brasil. Já a eShop a gente nem precisa comentar né? Um jogo digital tem custo logístico baixíssimo.

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Conseguimos ver um pouco desse reflexo em lojas do mercado cinza que se esforçam para trazer um produto no menor preço possível, ainda sim elas mantém preços muito elevados se comparadas com o valor digital. E se você quiser, também pode optar por importar como consumidor, nesse caso você pode ter o azar de ser taxado na alfândega e ter que pagar um imposto de 60% no valor do seu jogo. Isso já aconteceu com a redatora que aqui vos escreve.

Vale lembrar que nem tudo são flores, a Activision por exemplo, já desistiu de vender mídia física no Brasil, visto que a alta do dólar tornou a operação muito cara. A Nintendo já se pronunciou dizendo que pelo menos por enquanto, não pretende enfrentar a burocracia para vender mídia no Brasil. Temos que seguir com mídias digitais, mas para o futuro o que você espera leitor?

  • Agradecimentos a @Sailorpalutena pela foto dessa belíssima coleção de mídias do Nintendo Switch usada para ilustração dessa coluna!

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Roseane Silva
25y, Economista, adora jogar Nintendo, entusiasta de tecnologia.