Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil

Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil

Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil

Quanto mais nos aproximamos do fim do ano, é comum vermos pipocarem nas redes sociais postagens pedindo que o atual calendário mude o mais rápido possível. Todo dezembro é uma chuva de “acaba logo!”, “que ano bizarro!”, “chega logo 20XX!” e variantes. Seja como for, 2020 deve ser um caso raro de unanimidade sobre ter sido um ano completamente esdrúxulo. No mundo dos games, vimos o nascimento de uma nova geração, o que para muitos ajuda a atiçar seu caboclo pessoal sedento por console wars.
Uma recente live no excelente canal Nerd Nintendista sobre como é ser fã da Nintendo no Brasil, inclusive pelo fato de se tratar de um país em que, para muitos, vídeo game “de verdade” se tornou sinônimo de Playstation e Xbox. Isso me fez refletir sobre como é ser um admirador de Mario e companhia aqui no seu país de origem.
Moro no Japão há aproximadamente 15 anos, mas sou brasileiro como a maioria de vocês. Assim, essa lista é o ponto de vista de um observador estrangeiro. Talvez um nativo teria uma opinião diferente da minha. No entanto, acredito que conhecer as duas realidades me dá bons subsídios para comparar os dois mundos. Enfim, vamos as diferenças!

1) Todo japonês é gamista! (Ou tem condições de ser…) – Um país livre da pirataria
Para início de conversa, no Japão, games de modo geral são produtos acessíveis a basicamente qualquer um. Todo ganhador de salário-mínimo, algo em torno de 8 dólares por hora, tem condições de se organizar e comprar o console que quiser. Portanto, aqui nunca houve o fenômeno da popularização dos consoles que rodam discos piratas vendidos a 10 reais no camelô. A pirataria no Japão é quase nula. Ninguém se sente encorajado a optar por esse ou aquele console por ser mais fácil de desbloquear. Consequentemente, é comum as pessoas serem “multiplataforma” justamente porque ninguém precisa vender um rim para comprar 2 ou mais consoles alimentá-los de games. Inclusive porque a indústria de usados no Japão é gigante: há um brechó de games em cada esquina. More você em Tóquio, ou nos confins de Fukushima. Resumo: ser Nintendista não significa limitar você para desfrutar as outras marcas.

Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil
Brechó de videogames no Japão


2) Todo japonês é family friend!
Não esqueça: estamos falando da terra dos animes, da cultura kawaii, da Lolita fashion, do berço dos pokemons. Ninguém aqui vai torcer o nariz para as franquias da Nintendo por causa de seus personagens alegres e coloridos, nem das suas temáticas Family friendly. Ao contrário, o fato de serem jogos que divertem jogadores de 8 a 80 anos de idade (ou mais) é justamente uma das chaves para a popularidade. Você conhece a história de Gunpei Yokoi ter tido a inspiração para o Game Boy ao ver um trabalhador brincando no trem com uma calculadora? Esse é o tipo assalariado japonês. Um homem que usa trem todos os dias para trabalhar e, nesse meio tempo, quer ter momentos de descanso da rotina estressante das grandes corporações. Jogos com gameplay simples e enredos que proporcionam um retorno à época de infância, quando tudo era mais fácil, são um prato cheio para o sufocado salaryman japonês. Alie isso ao fato de que, por mais machista que a sociedade japonesa seja (como qualquer outra), aqui há uma imagem de masculinidade menos tóxica. Não há no Japão uma busca frenética para adotar comportamentos e hábitos que gabaritem o jovem como “homem de verdade”. Não há cobrança para que goste de futebol, perder a virgindade com a prima ou beber cerveja aos 12 anos. Nessa linha, curtir jogos do Kirby é algo perfeitamente normal.

Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil
Família japonesa jogando Nintendo Switch

3) Todo japonês é um pouco Nintendista!
Você viu a apresentação das Olímpiadas de Tóquio em que ninguém menos que Shinzo Abe, então primeiro-ministro, se transformava em Super Mario? Essa imagem fala por si. A Nintendo é um patrimônio nacional, uma das mais poderosas constituintes do soft power japonês. O país se tornou a grande potência que é, e conquistou o respeito do ocidente, impulsionado pelo sucesso das suas grandes corporações. O produto japonês se tornou sinônimo de qualidade e inovação. O mundo todo reverência Toyota, Honda, Sony, Yamaha, Sharp… E sim, a Nintendo também. Mesmo quem não é gamer acabar nutrindo uma certa admiração e respeito por essa empresa pelo fato de ela ter entrado no hall das que conquistaram o status de um dos símbolos de todo o povo japonês. Produtos licenciados da Big N estão presentes nos supermercados, lojas de conveniência, farmácias… Toda a parte. Celebrar a Nintendo é, em última instância, curtir um simples elemento da própria cultura pop do país. E arrisco dizer que não há um cidadão japonês sequer que não tenha consumido algum produto da empresa durante sua vida. Nem que seja o biscoitinho do Mario.

Como é ser Nintendista no Japão? Veja 3 diferenças com relação ao Brasil
Shinzo Abe vestido de Super Mario

Enfim, a lista podia ser bem mais longa, e os itens que listei podem ser mais explorados.
Mas me diga sobre você: quando e como você se descobriu Nintendista? O que é ser Nintendista pra você?


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]