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Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Koji Kondo: o John Williams dos video games

Koji Kondo: o John Williams dos video games

ATENÇÃO! Vamos combinar o seguinte: Dê sempre o play no video antes de iniciar o próximo parágrafo. Não se preocupem que o video para sozinho, assim que ele sair da sua tela. Agradecido! Vamos nessa!


Começa aqui por esse. Valendo!

Se ligar a televisão, zapear e parar em um canal onde tenham pessoas dentro do mar e de repente começar a tocar uma música tensa, com uma rápida alternância de apenas duas notas, e ansiosamente supor que vai aparecer um tubarão, você já entendeu duas coisas: o sentido dessa matéria e o papel de uma boa trilha sonora.

O cara que compôs essa trilha para o filme Tubarão, de 1975, se chama John Williams, um maestro e compositor americano. Pense você, que além dessa trilha vencedora do Oscar, John Williams também assinou as trilhas de Star Wars, Indiana Jones, E.T, Jurassic Park, Harry Potter e muitas outras mais. São trilhas com músicas que não se precisa mais do que 6 notas para reconhecer e cantarolar do início ao fim.

Ícones da cultura pop, é justo também colocarmos ao seu lado trilhas do mundo dos video games. Tão clássica quanto de qualquer filme, o tema original de Super Mario Bros., de 1985, alcançou o status de representar todo o setor de video games e não só da franquia Super Mario. Sim, é essa mesmo que não vai mais sair da sua cabeça nos próximos dias.

E se te dissessem que o mesmo cara que compôs essa obra prima, também compôs a trilha de The Legend of Zelda? E de Star Fox? E Super Smash Bros. ? Se parecer pouco para a ousada comparação com o maestro americano, considere que esse autor escreveu as trilhas de praticamente todos os títulos de cada uma dessas franquias. Não é pouca coisa. O compositor japonês Koji Kondo é um dos maiores músicos da cultura pop e vamos provar isso. Tente passar por esse texto sem se contagiar. É um desafio!

Koji Kondo nasceu em 13 de agosto de 1961 em Nagoya no Japão. Sua relação com a música começou cedo, ainda no jardim de infância, quando participou de aulas dadas pela Yamaha. Isso, a Yamaha das motos e pianos. Cresceu participando de bandas no colégio e na faculdade, sob forte influência de hard rock, como Deep Purple – guardem esse Deep Purple aí -, jazz americano e também o japanese fusion, um gênero de jazz famoso no Japão.

Na faculdade, ele se inscreveu para uma vaga de compositor para video games na Nintendo em 1984. Era a primeira vez que se abria uma vaga especialmente para isso na empresa. Começava ali, uma parceria que dura mais de 35 anos. Tal como Williams tem Steven Spielberg como grande diretor no cinema, Kondo também tem Shigeru Miyamoto, criador de Zelda e Mario, como diretor das maiores franquias que compôs as trilhas.

Logo no primeiro ano, Koji escreveria sua principal obra, que marcaria para sempre a cultura pop e o mundo dos games. Inspirado por um visual gráfico revolucionário para a época, com as fases com fundos coloridos, simulando paisagens abertas, ele compôs uma trilha que mantinha a dinâmica de movimento do Mario, e que também servia como música de fundo que causasse a sensação de se estar explorando um grande mundo a céu aberto. Tudo isso com um aparelho que permitia apenas 3 notas ao mesmo tempo, para rodar a música e todos esses efeitos sonoros. Pra entender a complexidade dessa limitação, pensa que qualquer acorde que você toque num violão, já temos ali 6 notas ao mesmo tempo.

De novo colocando os dois compositores lado a lado, pulemos 5 anos no tempo, para Super Mario World, obra prima do Super Nintendo. Na trilha desse título, que também é uma das mais icônicas dos video games, Koji Kondo se utilizou de uma composição base, que era alterada de acordo com os cenários das fases. Essa que está tocando agora é a principal, e recebia adaptações dependendo se estivéssemos embaixo d’água ou dentro de um túnel.

Agora, nessa versão, que toca nas fases dos fantasminhas, a gente consegue ver o mesmo princípio usado por John Williams na trilha do Tubarão. Notas bem próximas, alternadas, usadas para causar ansiedade e desconforto. Se Kondo bebeu dessa fonte? Não sei, mas vamos ver agora algumas fontes de que ele bebeu sim. 

Aqui vamos ver na prática a máxima difundida por Austin Kleon: roube como um artista. Desde sempre, nada se cria, tudo se copia, e com nosso gênio não ia ser diferente. Aqui temos alguns exemplos de como aquelas referências que falamos láááá no começo, estão presentes na obra de Koji Kondo em composições que estão grudadas na nossa cabeça já há algumas décadas.

Avançar para o minuto 02:00


No primeiro título de The Legend of Zelda – a melhor franquia de todas, me provem o contrário -, de 1986, voltemos ao Deep Purple que pedi pra vocês guardarem. Pegaram? Vejam se algo soa familiar:


Tem algo ali nos 13 segundos né?


A referência existe, ela está ali, inegavelmente. Mas ela serve como ponto de partida para obras que são tão originais como se tivessem de fato sido inventadas ali. Seguindo na NOSSA franquia favorita, apresentaremos a vocês o tal do japanese fusion. Boa a levadinha, não? Curte mais um pouco. Enquanto isso, aproveito aqui o espaço pra te convidar a escutar a trilha sonora de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Digna de filme e excelente pra trabalhar. Agora dá play aqui na Fairy’s Fountain de The Legend of Zelda: A Link to The Past:


E dá pra ver que ele rouba dele mesmo também. Dois anos antes, em Super Mario Bros. 3:


Já que voltamos ao Mario, temos também referências sobre a obra prima original, vindas do japanese fusion e do jazz americano.

Reconheceram essa já? Tá fácil:


Se formos pra baixo da terra, a referência já vem de outro lugar. Esse jazz americanaço, traz uma das trilhas mais conhecidas da franquia de Super Mario.

Esse som é bom também, pode aproveitar um pouco mais antes de dar play na próxima.


Por último, vamos acelerar com esse swing japonês!

Parece que você fica invencível e pode passar batidão por tudo né? Tipo quando tocava essa outra:



A verdade é que pouco se conhece sobre esse e outros gênios do mundo dos games. A sorte é que o setor está crescendo cada vez mais e se firmando na cabeça das pessoas como um tipo de mídia e de produto artístico, tal como filmes, uma série, discos e livros.

Que possamos aplaudir e aproveitar cada vez mais os grandes artistas de todos os setores e deixarmos essas trocas enriquecerem e influenciarem de forma original e genuína todas as pessoas que tem algo legal pra se mostrar!


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Lucas Vasconcellos
Redator publiciteiro, escrevo do Rio de Janeiro com o saudosismo e certeza de que o Nintendo 64 segue como o melhor video game que já existiu.