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Player 2 - Videogame é coisa de criança

Player 2 – Videogame é coisa de criança

Sexta-feira à noite eu estava zapeando minhas redes sociais como de costume, quando me deparei com um post de um amigo que dizia “Parecemos adultos mas estamos jogando Overcooked numa sexta à noite.” 

Player 2 - Videogame é coisa de criança
Overcooked 2

Na hora eu pensei… Será que ainda tem pessoas que acham que videogame é coisa de criança? E a resposta veio na mesma hora, SIM!

Por mais absurdo que possa parecer, muitas pessoas ainda hoje têm essa visão. E não, não falo somente dos idosos que viveram em um mundo longe das tecnologias, mas de uma grande fatia que nasceu a partir dos anos 80. 

Na minha infância nos anos 80 e 90 era muito comum ouvir esse tipo de coisa “jogos são brinquedos de criança; Nerd é uma pessoa estranha que não tem amigos e vive num quarto escuro lendo revistas em quadrinhos e jogando videogame.”

Nem sempre ser nerd ou ser geek foi uma coisa da moda. Hoje em dia todo mundo quer dizer que faz parte desse mundo. Que faz live aqui ou ali. Mas nem sempre foi assim. 

Ser nerd antigamente era ser de uma tribo que não se misturava com outras. Você não era aceito pelos grupos que se consideravam “legais”, era meio que um submundo. 

Você não comentava com qualquer pessoa sobre os últimos lançamentos. A gente sussurrava nas sombras para não ser visto. Aqueles que se aventuravam em RPG de mesa então, eram vistos como adoradores do coisa ruim. 

Se você aparecesse com um portátil na escola era tido como alguém de outro planeta com tecnologias avançadas e desconhecidas do povo mundano. Locadoras e fliperamas eram nossos locais de encontro, quase um QG. Lá nos sentíamos protegidos. Lá era o nosso mundo.

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Fliperama anos 80/90

Mas nosso local mais precioso era o nosso quarto. Lá podíamos ostentar nossas coleções de revistas de games e em quadrinhos, nossos jogos e consoles. Pôsteres de diversos jogos e personagens eram nosso papel de parede. Ali você era REI!

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Quarto nerd nos anos 90

Desde criança eu sempre fui liberto de preconceitos, sejam eles de quaisquer origens. Fruto da educação crucial dadas por meus pais que sempre me mostraram que o mundo é feito de diversidade e que ser diferente é ser normal, afinal ninguém é igual, são nossas diferenças que nos tornam únicos. 

Então o fato de ser visto como alguém estranho, ou um nerd, nunca me incomodou quando criança. Sempre tive pra mim que por mais que alguém seja íntimo e conheça você a fundo, ninguém nunca conhecerá você 100%. Só você sabe exatamente tudo o que se passa no seu interior.

Ser criança é ser livre, inocente, verdadeiro. É viver sem preconceitos, sem más intenções. Quando nascemos, somos um livro em branco pronto para ser rabiscado da melhor forma que pudermos. Hajam rasuras, erros, desenhos, pinturas ou belas histórias, não importa, ser criança é ser livre.  

Mas porque aquele comentário me chamou tanta atenção? 

A muito tempo a indústria do jogos e até mesmo do cinema parou de produzir seus maiores sucessos pensando em somente um único público. A maioria das animações, por exemplo, contém uma infinidade de piadas e referências que somente o público adulto entende, exatamente porque são eles que pagam o ingresso para levar as crianças até as salas de cinema, então eles precisam de um incentivo para fazê-lo. 

No mundo dos jogos não é diferente, existem diversos jogos para toda a família principalmente os da série Mario (Party, Kart, Tênis, etc), assim como existem jogos muito mais profundos com histórias densas e bem amarradas que os mais novos talvez nem as entendam mas que nada impede que eles possam se divertir, sejam por seus personagens cativantes ou suas mecânicas revolucionárias, como Zelda por exemplo.

O mercado de jogos eletrônicos está em plena expansão e acredita-se que ele deva gerar uma receita de 159,3 bilhões de dólares em 2020.

Hoje vemos pais jogando com seus filhos e passando ótimo momentos em família. Médicos, religiosos, artistas, atletas, líderes de diversas áreas e nós, meros mortais que dedicam um pouco do seu tempo para se divertirem e fazerem aquilo que lhes faz bem.

Player 2 - Videogame é coisa de criança
Switch em família

Já se foi o tempo em que rotulávamos coisas e pessoas. 

Curta sua vida em plenitude e aproveite cada segundo fazendo aquilo que lhe faz bem. E se caso algo lhe parecer ser “coisa de criança”, aproveite e alimente essa criança que existe dentro de você. Esse ser puro e inocente que passa os dias se divertindo e sendo quem ele é. Sem preconceitos, sem barreiras, sem rótulos. 

Seja livre, seja Você.


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Ezequiel Covatti
🕹 Um amante da Nintendo desde os anos 80 👨‍🍳 Chef 📖 Escritor 📚 As Crônicas do Rei 📚 Mestre dos Mestres --> linktr.ee/ezequielcovatti