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Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition – O ponto de equilíbrio dos RPGs

Em memória do ilustre programador e destemido, Satoru Iwata. (1959-2015)

RPG. O bom e velho RPG. De uma história profunda, quebra-cabeças, batalhas por turno e desenvolvimento de personagens. Tão raro se tornou em gerações atuais, que essas resolveram considerar quaisquer jogos que possam apresentar progressão de níveis e mundo aberto, como pertencentes ao gênero. Para completar, as franquias RPGs consagradas sofrem para manter a essência em meio a um público que clama por ação, ou que não suportaria ver um gráfico pixelado de um Final Fantasy de outrora.

Nosso jogo em questão a ser analisado, faz parte de uma franquia que mantém seu estilo desde de 1986, com legado já consolidado principalmente em terras Nipônicas. Desenvolvido pela Square Enix, Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition é uma joia rara por se mostrar autêntico; como um genuíno RPG.

Fly, Fly, Fly!

É Muito provável que você aqui no Brasil ao lembrar do nome Dragon Quest, tenha em mente associado a animação Fly: O pequeno guerreiro. O anime exibido pelo SBT, baseado nos primeiros jogos da série, foi um precursor na década de 90, no sentido de popularizar a franquia por aqui. Com abertura marcante e uma música dublada que gruda na cabeça, Fly se chama assim por que seu nome original Dai não seria bem visto no Ocidente — a pronuncia é a mesma da palavra Die (morrer) derivada do inglês. Atualmente para alimentar nosso fator nostalgia, um reboot de Fly foi lançado. Dragon Quest: The Adventure of Dai, assim chamado, está disponível desde de Outubro do ano passado (via streaming direto do Japão) agora trazendo novidades; mais fiel ao mangá e com promessa de ter um final — algo que o Fly de antigamente ficou devendo.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs
“Um pouco de mago e muito de herói” 🎵

Os Ecos de uma Era Indescritível

De início presenciamos uma bela cinemática apresentando a origem de nosso personagem principal. A história não chega a ser inovadora, mas percorre por caminhos que levam os personagens a serem o foco da narrativa e ela te prende (e surpreende), acredite. Na medida que o enredo vai se desenrolando, flashbacks trazem a tona momentos marcantes do passado para o jogador se aprofundar. Se passando no mundo de Edrea, um ataque premeditado de monstros é direcionado ao reino Dundrasil: é o aviso do surgimento de um mal eminente. O motivo dessa invasão é colocar em risco a vida do bebê tratado como Luminary (que tem a marca da luz em seu punho), predestinado a ser o herói lendário da profecia e escolhido pela grande árvore Yggdrasil para salvar a humanidade quando necessário. Com a ajuda da realeza o bebê consegue escapar, porém se torna órfão até o momento em que é recolhido nas margens de um rio localizado no pequeno vilarejo Cobblestone. Agora adotado, acompanhamos o crescimento deste que é nosso protagonista; vivendo uma vida normal, sem conhecimento do destino que o aguarda. Quando a gameplay começa, já estamos com nosso herói crescido. Após conhecer sua dádiva de carregar o peso de ser um escolhido, partimos em uma missão por respostas. Entre revelações e surpresas da trama, passamos a ter que lidar com perseguições que enxergam nosso dom como fruto da própria encarnação do mal, sendo evidente que a única opção para evitar o avanço inimigo é chegar na grande árvore divina do mundo, aquela que mantém todo o equilíbrio dos reinos, a Yggdrasil.

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Gameplay no geral

A visão repleta de um design 3D nos remetem a enxergar os tracejados de Akira Toriyama com mais detalhes do que em jogos anteriores da franquia. Claramente nosso protagonista pode ser confundido com Trunks, essa é a primeira semelhança que notamos com Dragon Ball. O fato é que a arte de Toriyama combina muito bem quando associado a uma temática medieval, misturado a fantasia e uma trilha sonora que trás o esplendor de uma orquestra deslumbrante. A ênfase de toda trama que envolve Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition está em seus personagens que adentram na narrativa. Por exemplo, Verônica é uma feiticeira de personalidade forte. Seu estereótipo de criança sob efeito de uma maldição a tornam ainda mais cativante sem suas falas. Já Sylvando, para mim é o personagem que rouba a cena. O artista de circo dá um “show“(literalmente) de simpatia e transmite toda sua alegria para o mundo. Falando agora do nosso protagonista, o “Hero“(ou seu nome de escolha), ele interage de maneira silenciosa, se comunicando através gestos, geralmente de concordância. Já vimos muitos protagonistas assim anteriormente, a ideia é proporcionar uma imersão maior ao jogador, como se cada um de nós que tenha pego o controle seja de fato o personagem. Mesmo calado, suas atitudes são participativas e eficientes. São vários outros personagens, todos com uma história diferente para compartilhar.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs
Sylvando, o comandante da Caravana da Alegria

O universo de Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition é amplo, e de início foi projetado para receber uma experiência em mundo aberto. No final das contas desenvolvedores acharam que isso comprometeria o andamento da história, então decidiram por trazer uma experiência linear, mas transmitindo uma sensação de mundo aberto em áreas maiores que interligam todo o mapa. Monstros caminham livremente por essa áreas, e podem ser visíveis; um conceito até melhor para RPGs tridimensionais no meu conceito. Encontros aleatórios ficam exclusivamente para viagens de Navio pelo Mapa-Múndi, ou modo 2D. Mesmo para aqueles monstros que são visíveis, ainda não é fácil escapar de uma batalha indesejada. Somos constantemente surpreendidos e perseguidos. As batalhas são em turno, da maneira mais clássica possível. Alterne habilidades físicas, magias de cura e destruição. É possível colocar personagens para executar ações no automático. Para não precisar escolher magias a todo momento, eu deixava o mago para desferir seus ataques como bem entender em batalhas normais, isso ajudava fluir melhor o andamento de minhas batalhas. Em chefes, alerto que esse método deixa de ser eficaz e pode te levar a morte; os mais temidos inimigos estão constantemente desferindo ataques e debuffs e nem sempre seu personagem vai entender o momento certo de atacar ou curar. A customização dos personagens apresentam dois lados de uma moeda. Ao mesmo tempo que temos uma vasta variedade de itens para equipar, somente alguns alteram o visual (em exceção das armas) e são sets pré-determinados, limitando o que faria da gameplay ainda mais divertida. Em contrapartida, a árvore de habilidades se ramifica e dispõe de vários caminhos que muda o estilo de combate do personagem. Pegando de exemplo o Hero, o mesmo irá apresentar afinidade com espada/escudo e espada de duas mãos, com possibilidade também de equipar duas espadas (uma que substitui o escudo) se uma habilidade for desbloqueada. Além disso uma terceira ramificação com poderes do Luminary, ficará disponível, trazendo poderes voltados para a magia.

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Mais clássico impossível!

Existem habilidades passivas e ativas desbloqueadas pelo acumulo de pontos (p), adquiridos nas batalhas juntamente com a experiência de níveis. Determinadas habilidades geram ataques em conjunto na batalha, aumentando muito o poder de fogo do grupo e trazendo animações bem agradáveis. O jogador também pode fazer uso de habilidades fora de combate; como recuperar o grupo, fazer viagens rápidas, entre outras. Em Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition nenhuma build se faz correta ou da maneira que o jogador deseja logo de “cara”. O jogo sabe disso e te permite fazer testes. Caso não saia de acordo com nossa vontade, temos a opção de resetar as habilidades em troca de ouro — isso acontece nas igrejas, o local sagrado onde também salvamos o jogo. Os bônus de status de cada personagem se darão na progressão de níveis e por equipamentos; estes terão eficiência de acordo com seu sucesso na forja. A forja também evolui com o progresso do jogo, disponibilizando mais ferramentas. É muito interessante a maneira como é o sistema de forja — você deve calcular cada batida de martelo na bigorna para chegar em pontos críticos; quantos mais acertos, mais será a chance de alcançar a capacidade máxima dos equipamentos (+3).

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Em grandes áreas do jogo temos auxílio de montarias. A tradicional, a cavalo, facilita a transição e até escapar de inimigos. Já alguns monstros que emanam um certo brilho, oferecem seus serviços ao serem derrotados. Além de poder desfilar por aí montado em suas costas, cada um trás consigo uma habilidade; elas variam entre escalar paredes ou eliminar monstros instantaneamente, sem a necessidade de uma batalha. Para amantes do deslumbre, um modo foto marca sua presença. Explorar minuciosamente as áreas rendem itens variados, escondidos em baús ou soltos, como as mini medals que rendem prêmios que podem ser trocados pelo jogador. Parte dessa exploração também inclui encontrar áreas inacessíveis em determinado momento do jogo; portanto é importante guardar na memória onde elas se localizam, para assim retornar posteriormente. Missões secundárias podem apresentar uma certa dificuldade. Não há uma maneira de marcar uma missão e ela te indicar onde se deve ir, o que temos se resume a uma breve informação. Até mesmo as missões principais demandam atenção aos diálogos para não ficar perdido. É importante estar com o inglês afiado, pois RPGs da Square Enix raramente apresentam legendas em português (Final Fantasy XV talvez seja uma exceção). Essa maneira de conduzir as missões (tanto principais e secundárias) não chega a ser incomum: é outro fator que retrata o RPG em suas raízes, no âmbito de estar sempre colocando o jogador para pensar e se virar.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs

Versão com “S” de superior

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition demorou um pouco mais para chegar no Switch, mas quando chegou foi de maneira especial e trazendo a tona um história que emociona — o jogo era uma promessa dos desenvolvedores a Satoru Iwata, que tanto esboçou vontade em ter esse título rodando no console. Infelizmente o lendário ex-presidente da Nintendo nos deixou antes de ver o lançamento acontecer. Essa versão intitulada “S” é de fato a definitiva e supera a anterior, permanecendo de maneira exclusiva durante um tempo na plataforma da Nintendo. Com extras e opção de alternar para um modo 2D, este último, é de longe a adição mais importante, que dá a perspectiva de ver o jogo em 16-bit, apresentando combates por encontros aleatórios como os Dragon Quests de antigamente. Apesar de ser os mesmos cenários ambientados e história, a experiência em dois visuais trazem a sensação de ter dois jogos distintos; portanto é aconselhável visitar tudo em seus dois modos, assim a quantidade de horas (diversão) vai aumentar de maneira gratificante. O que devemos ter em mente ao alternar os modos, é que o progresso em modo 3D não será o mesmo que no modo 2D. Para exemplificar melhor, quando se acessa outro modo, um save é gerado de maneira separada, levando consigo seus itens, equipamentos e níveis. O processo de mudança só ocorre ao acessar as várias igrejas e estátuas postadas em acampamentos encontrados durante a jornada; com isso, a liberdade em poder ver um local específico em outro modo de imediato fica comprometido.

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A “magia” do modo 2D

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition como já mencionado leva a sério seu título de edição definitiva. A quantidade ampla de extras em relação a sua versão standard mostra isso. Anteriormente não tínhamos dublagem em japonês, agora temos. Koichi Sugiyama, responsável pela trilha sonora, teve suas composições orquestradas para essa versão, e a melhora é significante. Para jogadores mais “insanos” temos o menu Draconian Quest (opcional) que retira alguns privilégios do jogo, entre elas coisas como reduzir experiência, deixar monstros mais fortes, não equipar armaduras ou até mesmo forçar que NPCs mintam para você; passando informações erradas sobre a localização de itens e te colocando em situações perigosas (golpe baixo eu diria). Acionar as configurações do Draconian Quest deverão ser feitas quando iniciamos um novo jogo, após isso, conseguimos apenas desabilitar suas funções. Além das missões secundárias habituais, um novo esquema de missões que funcionam como um “conto extra” está presente. Ela consiste em teletransportar o jogador para uma dimensão paralela para reparar segmentos da história de jogos anteriores da franquia. Toda essa parte é em 2D (mesmo estando no modo 3D), sendo necessário encontrar fantasmas postados pela campanha principal trazendo um “password“, para que então novos segmentos sejam habilitados. Algumas mudanças menores na gameplay foram feitas e melhoram a experiência. Novos diálogos foram implementados, e seu grupo agora anda junto com você em ambientes abertos. A forja pode ser utilizada em qualquer momento através do menu de itens. Quando um equipamento vai ser forjado, seu itens de requerimento podem ser comprados caso estiverem em falta em seu inventário. A velocidade das ações (batalha, animações, etc.) podem ser alteradas, deixando tudo mais dinâmico; de acordo com a preferência do jogador. A única ressalva dessa versão S está relacionado aos gráficos que são inferiores a versão lançada inicialmente. Texturas mais baixas são notadas, com algumas delas que renderizam a certa distância quando movimentamos o personagem. Tudo isso é compreensível, e não tira a beleza do jogo; temos afinal, um jogo que pode funcionar o tempo todo em modo portátil, mantendo seus 30 fps e com conteúdo para ultrapassar mais de 70 horas de jogo facilmente.

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Itens de Colecionador

Para um jogo tão influente, os cobiçados itens de colecionador não poderiam faltar. Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition apresenta uma versão especial belíssima de Nintendo Switch.

Chamado “Loto Edition“, nessa edição estão incluídos os seguintes itens:

  • Console Nintendo Switch (design especial)
  • Nintendo Switch Dock (design especial)
  • Joy-Con (L) / (R) (design especial)
  • Joy-Con Grip
  • Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition / Gorgeous Edition (que acompanha o jogo em sua capa tradicional, mais uma linda capa adicional e bônus DLC.
Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs
Caberia na minha estante tranquilamente…

Outro pacote com itens de colecionador que pode ser adquirida, contém uma variante de Pro Controller, em formato de Slime e na cor azul. O design apesar de curioso, aparenta ter uma boa “pegada”.

Além do controle, um suporte especial para segurar o Switch em modo portátil compõe a coleção. Ele apresenta o formato de baú temático encontrado no jogo, que ao ser puxado para frente indica onde encaixar o console.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age - Definitive Edition - O ponto de equilíbrio dos RPGs
Bizarro e bonito ao mesmo tempo.

Conclusão

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition atinge todos os requisitos que um jogador possa esperar de um RPG. Priorizando uma narrativa forte que passa muitos por seus carismáticos personagens, o jogo trás a real experiência de uma versão definitiva, repleta de conteúdo. As batalhas são simples e autênticas. Dito isso, não há limites para uma franquia que se reinventa sem perder a essência. Sem dúvida, um dos melhores RPGs dos últimos anos.

Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition está disponível desde o dia 17 de Setembro de 2019, e pode ser adquirido na eShop americana pelo valor de $49.99. Uma versão demo também está disponível. Vale lembrar que o jogo tem a classificação etária “T” (Teen: não recomendado para menores de 13 anos).

9.4 / 10 Nota Final
Prós
- Narrativa envolvente
- Personagens que tomam o centro das atenções
- Essência do clássico RPG mantida
- Versão definitiva com ampla quantidade de conteúdo
- Possibilidade de alternar entre modo 3D e 2D
- Sistema de forja interativa e divertida
- Gameplay ultrapassa mais de 70 horas, destacando ótima relação custo x benefício
- Trilha sonora orquestrada magnífica
- Cinemáticas visualmente deslumbrantes
Contras
- Poucas opções de customização visual dos personagens
- Ausência de legendas em português
- Impossibilidade de poder alternar entre os modos 3D e 2D em qualquer situação do jogo
Resumo
Não há como negar sua identidade. Você é o Luminary, a reencarnação de um herói lendário da profecia, e precisa se preparar para enfrentar um caminho envolto por sombras. Lute, e se desenvolva. Você não está sozinho, a amizade é seu guia.
Design
Trilha Sonora
Diversão
Gameplay
Custo x Benefício

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]