Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
As pequenas coisas...

As pequenas coisas…

Diana era dona de uma Assistência técnica especializada nos consoles da Nintendo. Ela sabia como ninguém montar e desmontar qualquer console de qualquer geração. Começou sua profissão quando ainda menina desmontando e arrumando os controles do seu Dynavision 3. Presente de Natal. Veio com dois controles de manche (estilo avião) e uma pistola. Um jogo de beisebol e muita diversão. Até hoje Diana considera esse console o mais versátil dos clones do NES lançados no Brasil. Suportava sem adaptador cartuchos americanos e japoneses. Pena que os controles não duravam nada.

Começou a reparar nesses pequenos detalhes em tudo. Como uma coisa ou alguém poderiam ter lados positivos e negativos ao mesmo tempo, deixando a cargo de quem olha ver um ou outro. Como por exemplo a estrela do Super Mario Bros. que te dá invencibilidade e por algum motivo obriga as pessoas a sairem correndo como loucas até acabar o efeito. Você não morre e deixa muitas outras coisas para trás. Precisa mesmo sair correndo? Tudo tem essa dualidade e ela achava isso maravilhoso.

Cada console tinha a sua própria alma e dualidade. Seus defeitos e lados positivos. Cada controle, cartucho e fonte. Cada cliente com pressa ou aflito por ter deixado seu tesouro cair no chão, derrubado algum líquido nele ou ligado na tomada 220v. Todos com suas estórias, vitórias e derrotas. Acertos e pisadas na bola. Pequenos detalhes muitas vezes sem importância, mas que faziam toda diferença.

No seu relacionamento com Greg, namorado, não faltava esforço para sempre achar o lado positivo. Hoje ele me ligou, hoje ele me levou pra jantar, hoje ele não me ofendeu por falar com outro homem, hoje ele não me bateu. Greg tinha seus defeitos como todo mundo têm, ela dizia, só preciso ter paciência para aguentar mais um pouco, afinal ele faz tanto por mim, me ama e sofre muita pressão no trabalho. É normal ficar nervoso e falar algumas palavras fortes da boca pra fora. Detalhes sem importância, não fazem diferença.

A felicidade, mais que uma escolha, é uma consequência. Um castelo construído pedra por pedra com calma, suor e muita resiliência. A felicidade é aquele vento forte que faz a pipa subir ao azul do céu, aquele sorvete na tarde calor ou aquela troca de olhares na fila da padaria. Uma palavra grande demais para ser ignorada e tão sutil e delicada que se esconde nos mínimos detalhes. E só uma coisa é mais visível que a felicidade em sí, a sua ausência.

A vida segue como fases de Super Mario Bros. Consoles vem, são arrumados e se vão. Hematomas cobertos por maquiagem e mentiras que amigos e família não fazem mais questão de ouvir ou questionar se tornam apenas obstáculos a serem pelados. Cada lágrima caída sobre o sorriso relutante marcavam mais um capítulo nessa aventura amorosa repleta de pontos mais perdidos do que ganhos. Tudo tem o seu lado bom e ruim, só depende de quem vem porém, as vezes o que pode diferenciar um Mario salvador de um Bowser cospe fogo são justamente as pequenas coisas.

As pequenas coisas...
Pequenas coisas…

Um mega abraço.

Até semana que vem…


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

@Nersito
Nerd, nostálgico, pai e professor. Reclamador profissional com PHD em Harvard. Conheço o Mario, e daí? Assopra a fita e bora jogar! Canal Noobice Total, no Youtube!!!