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Furukawa, presidente da Nintendo: “direcionar esforços para a criação de novas franquias”

Furukawa, presidente da Nintendo: "direcionar esforços para a criação de novas franquias"

[Entrevista publicada no site da Nikkei Business em 4 de abril de 2021, traduzida do original exclusivamente para o Project N por Daniel Lima. Contamos com a sua colaboração para que este conteúdo não seja reproduzido parcial ou integralmente sem a devida referência.]

Em mais esta interessante entrevista a Shuntaro Furukawa, o homem à frente da Nintendo compartilha novamente parte da sua visão estratégica para os desafios da Big N. Vivemos uma época de incertezas causadas pela pandemia, mas ao mesmo um momento de feroz crescimento da demanda por artigos de entretenimento e sucessivas quebras de recordes internos da empresa. Como consolidar o aumento da base instalada do Suitão da Massa e continuar fortalecendo as IPs lendárias da Nintendo? Confira um pouco do que se passa na mente de Furukawa-sensei!

[Início da matéria. Original disponível aqui]

O Animal Crossing New Horizons da Nintendo (no Japão, apelidado de “Atsumori”) obteve um vasto leque de clientes como um jogo que possibilita longas horas de diversão em meio à pandemia do novo coronavírus, tornando-se um “boom” mundial. Alavancado pelo o consumo de bens e serviços em situação de confinamento, o período de março de 2021 prevê novo recorde de lucros, dando continuidade ao “nado de braçada” da empresa. Como será possível preservar os novos gamers recrutados com o sucesso de Atsumori, obtendo ainda mais crescimento? É o que perguntamos a Shuntaro Furukawa.

― A “demanda especial de confinamento” continua tendo o Atsumori como ícone.
É natural que os resultados dos negócios sejam alicerçados e melhorados pela demanda de tempos confinamento. No entanto, mesmo após o fim do estado de emergência, o esperado é que o tempo de permanência em casa aumente em comparação a anos anteriores. A aprovação de games que permitam longas horas de jogo tranquilo, seguindo o exemplo do Atsumori, é algo que, acredito eu, impactará fortemente a evolução dos negócios daqui para frente. Quero propor jogos que atuem como uma ajuda na comunicação entre familiares e amigos.

― Como será possível manter os fãs conquistados com o Atsumori?
Com o aumento do tempo de permanência em casa, está ocorrendo uma expansão do consumo que tem o entretenimento como alvo. Jogos não são um item essencial à vida. Para que clientes escolham gastar seu limitado tempo com eles, é necessário que os games sejam divertidos. A concorrência é rígida, não tenho uma visão muito otimista. Estou constantemente observando diversas formas de entretenimento e fazendo minhas pesquisas. De agora em diante, vou também direcionar esforços para a criação de novas franquias, e não apenas long sellers como Mario e Zelda.
Estou sempre acumulando ideias sobre novos consoles, algo esperado pelo mercado. No entanto, também há coisas atualmente impraticáveis por questões tecnológicas e de controle de gastos. Para que realizações futuras sejam possíveis, vamos alocar muitos recursos no desenvolvimento tecnológico, que é o ponto inicial.

― A pandemia do novo coronavírus também trouxe elementos desfavoráveis aos negócios relacionados às IPs.
O Super Nintendo World no Universal Studios Japan (USJ) é parte da estratégia para as IPs, visando a expansão da base de consumidores em contato com o mundo dos games. É um projeto cujo valor de investimento atingiu o maior patamar que já registramos. Tivemos atrasos na inauguração, continuamos preocupados com o coronavírus, mas tomaremos medidas anti-contaminação para que muitas pessoas possam ir até o parque.
Em 2022 teremos o filme do Mario. Os negócios relacionados às IPs exigem diversas medidas visando atrair novos consumidores, mas estamos caprichando na disponibilização de produtos na versão online da nossa loja oficial, a “Nintendo Tokyo”, de modo a compensar quedas nas vendas. Também estou de olho em casos de disponibilização via internet de filmes cuja exibição em salas de cinema foi cancelada. Desde que existam mais métodos, quero colocá-los em prática.

― Como você está lidando com a escassez de semicondutores e força de trabalho?
Os semicondutores para o Switch estão garantidos em volume necessário para a atual produção. No entanto, o Japão e outros locais observaram uma feroz demanda mesmo após a virada de ano, o que poderá resultar em escassez de estoque em parte da rede varejista. Não tenho uma resposta única para esse problema, mas há a possibilidade de precisarmos restringir o número de pedidos atendidos.

― Recentemente houve a transformação de uma desenvolvedora de games canadense em subsidiária [da Nintendo].
Avaliei de forma positiva que através da conversão da Next Level Games em subsidiária seria possível otimizar o desenvolvimento. Tenho como política base a responsabilidade dos desenvolvedores para com as marcas da Nintendo, bem como para com o processo de criação. Simplesmente aumentar o número de desenvolvedoras do grupo através de fusões e aquisições, de forma imprudente, não gerará aumento de valor no longo prazo. Não que simplesmente investir [em desenvolvedoras third party] não seja algo significativo, mas entendi que a conversão em subsidiária produziria um output maior.
Mesmo após a compra de empresas, perde-se o sentido caso pessoas nos abandonem. Para que cada vez mais profissionais brilhantes venham até nós e trabalhem para nós, novos esforços serão cada vez mais necessários.

[Entrevistadora: Natsumi Kawasaki]