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Mario Kart pode nos ajudar a reduzir pobreza mundial e melhorar sustentabilidade, diz pesquisa

Mario Kart pode nos ajudar a reduzir pobreza mundial e melhorar sustentabilidade, diz pesquisa

Jogos de videogame e principalmente grandes franquias como Super Mario são alvo de muitas pesquisas científicas no mundo, Super Mario 64, por exemplo, foi base de uma pesquisa que demonstrou que o jogo melhora raciocínio e funções cerebrais em geral e agora uma nova pesquisa afirma que Mario Kart pode ser um ótimo aliado da humanidade ao nos ajudar a reduzir pobreza e aumentar a sustentabilidade do mundo.

A pesquisa da Universidade de Boston nos EUA publicada em 8 de Abril no site ScienceDaily mostra como os princípios do jogo de corrida da Nintendo – especialmente as partes que o tornam divertido – podem ser aplicados para reduzir a pobreza mundial e melhorar a sustentabilidade na agricultura e na agricultura. Basicamente Mario Kart torna-se uma aula em equidade.

Equidade é, segundo o dicionário, um julgamento justo. Sempre usado em comparação ao conceito de igualdade, por exemplo, equidade demonstra o senso de justiça aplicada à igualdade. Mas o que isso tem relação com uma competição acirrada entre personagens de videogame em pistas coloridas?

Mario Kart pode nos ajudar a reduzir pobreza mundial e melhorar sustentabilidade, diz pesquisa

Se você já jogou Mario Kart (e você já jogou!) você conhece muitas mecânicas do jogo de kart de Super Mario e sua turma. O game usa uma variedade de power-ups e ferramentas de jogo para acelerar ou frustrar os competidores, e essa é parte importante do que torna clássico e famoso o jogo de corrida da Nintendo que existe desde o início dos anos 1990 tão atraente (inclusive temos um episódio do Project N Cast totalmente dedicado a franquia, clique aqui e ouça).

Tem sido divertido desde que eu era criança, é divertido para meus filhos, em parte porque qualquer um pode jogar”, diz Andrew Bell, professor assistente de Terra e Meio Ambiente da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Boston. Mas, como um pesquisador que estuda os princípios econômicos, Bell também vê Mario Kart como muito mais do que apenas um jogo de corrida.

Neste seu artigo recente, Bell se atenta a um dos recursos de Mario Kart mesmo quando você está indo mal, quase em último em uma Rainbow Road, por exemplo, o jogo foi projetado para mantê-lo na corrida e isso pode servir como um guia útil para criar programas sociais e econômicos mais justos que serviriam melhor aos agricultores de baixa renda em regiões rurais do mundo em desenvolvimento.

A agricultura é uma coisa horrível de se fazer se você não quer ser um fazendeiro”, diz Bell. “Você tem que ser um empresário, você tem que ser um agrônomo, ter um monte de trabalho … e em tantas partes do mundo as pessoas são fazendeiras porque seus pais são fazendeiros e esses são os bens e opções que eles tinham.” Durante suas viagens de pesquisa ao Paquistão, Bangladesh, Camboja, Malawi e outros países do sul da África, Bell se encontrou muitas vezes com esse discurso e foi o que o inspirou a concentrar sua pesquisa em políticas que poderiam ajudar no desenvolvimento.

Mario Kart pode nos ajudar a reduzir pobreza mundial e melhorar sustentabilidade, diz pesquisa

Segundo Bell, as políticas que fornecem assistência direta aos agricultores nas regiões em desenvolvimento mais pobres do mundo poderiam ajudar a reduzir a pobreza em geral, aumentando as práticas sustentáveis ​​e ecologicamente corretas. A ideia, argumenta o pesquisador, é muito parecida com a maneira como Mario Kart dá aos jogadores que ficam para trás na corrida os melhores power-ups, projetados para ajudá-los a continuar na corrida.

Enquanto isso, jogadores mais rápidos na frente não recebem esses mesmos impulsos e, em vez disso, normalmente obtêm poderes mais fracos, como cascas de banana para derrubar um piloto atrás deles ou um respingo de tinta para perturbar as telas dos outros jogadores. Esse princípio de incentivo é chamado de “elástico” e é o que mantém o jogo divertido e interessante, diz Bell, já que sempre há uma chance de você progredir.

E é exatamente isso que queremos fazer no desenvolvimento”, diz ele. “E é muito, muito difícil de fazer.” No mundo dos videogames, o elástico é simples, pois não existem obstáculos no mundo real. Mas no mundo real, o conceito de bandagem de borracha para estender recursos financeiros a famílias agrícolas e comunidades que mais precisam é extremamente complicado.

Mario Kart pode nos ajudar a reduzir pobreza mundial e melhorar sustentabilidade, diz pesquisa

Bell exemplifica em sua pesquisa algumas mecânicas de oportunidade que poderiam ser aplicadas no mundo real, com base na ideia do elástico, por exemplo: um programa social do governo que incentiva uma empresa privada ou terceira, como uma hidrelétrica, a pagar agricultores para adotar práticas de sustentabilidade, como prevenir erosão do solo ou reflorestamento. É uma transação complicada que funcionou em circunstâncias muito específicas, diz Bell, mas sistemas como este podem beneficiar os agricultores, empresas e o meio ambiente.

O grande desafio nesse sistema é encontrar empresas privadas dispostas a pagar pelos serviços do ecossistema e agricultores que desejam mudar suas práticas agrícolas. A boa notícia sobre o elástico é um conceito chamado “crowding in” por Bell em sua análise, que afirma que quanto mais pessoas participam desses programas econômicos, mais outras pessoas também participarão.

Bell ainda explica em seu estudo as complicações sobre achar as pessoas e famílias agricultoras por trás dos produtos e que o maior acesso à redes de internet e celulares pode ampliar essa cobertura e tornar essas políticas mais fáceis de serem aplicadas, fazendo assim com que seja mais fácil garantir os melhores power-ups aos pilotos que você sabe que estão mais atrás na corrida.

A característica do elástico de Mario Kart é atingir aqueles que estão atrás com os itens que melhor os ajudem a diminuir sua diferença – seus próprios ‘cogumelos dourados’.

Andrew Bell, professor assistente de Terra e Meio Ambiente da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Boston