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A música dentro dos videogames

A música dentro dos videogames

Desde os primórdios da humanidade o que mais nos encanta é a música. Isso porque ela tem uma habilidade incrível, de mudar e nos transformar de dentro para fora. Quem nunca esteve num dia triste, e ao ouvir aquela playlist favorita, ficou pouco mais feliz? Lógico, pois músicas contam histórias, e videogames também, então… o que daria de errado em unir ambos? Bom, pensando nisso, eu não achei nada mais justo do que, como meu primeiro post aqui no site, começar falando deste assunto!

Os primórdios do audiovisual nos videogames

Antes dos videogames passarem a ser consoles, ainda no arcades as trilhas sonoras já estavam presentes. Um título bem famoso que continha já músicas para acompanhar a jogatina é o próprio “Donkey Kong“. Nestes contextos, a trilha sonora serviria apenas como um acompanhante sonoro, pois sem ela, o jogo seguiria normal. Mas aí nós avançamos alguns anos no tempo.

A música dentro dos videogames
Donkey Kong – 1981

Chegamos em 1985! Recentemente o “Nintendo Entertainment System” chegado aos horizontes, e acompanhado de “Super Mario Bros”- que viria a ser um dos maiores jogos de plataforma, e criador do gênero. As músicas e sons presentes neste jogo já poderiam ser um pouco mais evoluídas. Nos arcades, a maioria dos jogos não tinham muita história, por mais que seu potencial gráfico permitisse, a época não era propícia, uma vez que para jogar num destes, você deveria ir até o fliperama, e pagar uma pequena porcentagem para uma jogatina. Então logo, ter um deste em casa não era para todos, e seus jogos eram adaptados, para não terem save (em sua grande maioria).

A música dentro dos videogames
Super Mario Bros – 1985

Para o conceito do NES, já era muito mais aceitável com que isso acontecesse, pois era um console feito especificamente para ter em casa, e os teus jogos poderiam ser salvos para continuar depois. Por consequência, os jogos necessitavam muito mais de uma ambientação. Não condizia o jogador estar dentro de uma masmorra para salvar uma princesa de uma tartaruga gigante, e ter uma trilha alegre e animada. Para este cenário, é muito mais propício, uma música que possa causar sentimentos de melancolia, e ative o instinto heroico do jogador.

A música dentro de Super Mario Bros, tinha uma trilha bem alegre, que ficava (e ainda fica) grudada na cabeça. Quando entravamos dentro dos castelos para salvar Peach, a música já ficava com um ar de desafios e obstáculos a serem superados, mas já quando a missão envolvia mergulhar, nada melhor que uma música típica de viagens marítimas, né?

Esse mesmo modelo se seguiu com vários jogos, e fundou um padrão dentro da indústria de videogames. Jogos posteriores dá própria Nintendo como “The Legend of Zelda” e “Metroid”, seguiram deste mesmo exemplo.

A música dentro dos videogames
The Legend of Zelda – 1986

A nova era dos videogames

Os gráficos simplistas já haviam ficado no passado. Enquanto utilizávamos de músicas em 8 bits na geração NES, aqui , no SNES já podemos ver gráficos e trilhas em 16 bits. Isso permitiu com que os sons simulados dentro do videogame fossem mais semelhantes aos instrumentos originais, pois o hardware já permitia isso. Então poderemos ver aqui grandes trilhas já muito bem elaboradas, como por exemplo em “A Link To The Past”, onde a música acompanhava muito bem tudo que estava acontecendo na tela, e os sons já eram muito mais perceptíveis (e muitas das vezes ajudavam o jogador a identificar inimigos).

A música dentro dos videogames
Super Mario All Stars – 1993

Músicas específicas para salas de chefes, temas para os campos de Hyrule, e muito mais; a evolução havia favorecido mais ainda o jogador a se sentir ambientado, e criar uma maior conexão com o videogame. Contudo um passo maior ainda viria para a indústria; os gráficos 3D. Apartir do lançamento do Nintendo 64 tudo pode mudar, pois com a chegada de “Ocarina of Time” a música não ficou apenas como uma trilha, uma ambientação.

O personagem principal, portava uma Ocarina onde, dependendo das teclas apertadas no controle, era capaz de emitir sons diferentes. As músicas passaram a ser chaves, e uma forma de acesso rápido á determinadas áreas. Por exemplo, ao ver determinados obstáculos era necessário tocar a “Zelda ‘s Lullaby”, mas para voltar á um dos determinados templos, havia uma sequência de notas totalmente diferenciada. Inclusive, um dos easter eggs mais interessantes envolvendo este game, é que eram possíveis até mesmo reproduzir músicas cotidianas dentro do jogo original, como por exemplo “Parabéns pra você”.

A música dentro dos videogames
Link – Ocarina of Time – 1998

Este padrão se seguiu por mais esta geração, e o fracasso do Virtual Boy. Mais adiante um pouco nós veremos trilhas muito mais bem construídas, apartir do Nintendo Gamecube. Isso porque a evolução nas tecnologias era propícia. As músicas eram já orquestradas e gravadas, pois a mídia óptica estava disponível, e possibilitava o aumento da qualidade sonora. Assim permaneceram por anos, e as trilhas disponibilizadas apartir do Nintendo Gamecube foram sensacionais. Dragon Roost Island, Gusty Garden Galaxy , e as músicas presentes de No More Heroes, são apenas alguns dos exemplos de jogos e trilhas magníficas que marcam-nos até os dias de hoje.

A música dentro dos videogames
No More Heroes – 2007

As trilhas sonoras na atualidade

Para finalizar, gostaria de falar um pouco sobre”Breath of the Wild”, o título mais recente da série Zelda, lançado em 2017 para o Nintendo Switch. Este é um exemplo de jogo com uma trilha sonora bem constrovérsia. Isso porque para alguns ela pode ser fenomenal, mas para outros acaba sendo um pouco “morta”. Em particular eu acho algo muito surpreendente. A música tema do próprio jogo é de arrepiar, começa com algo bem calmo, e quando num instante: tudo muda, e se torna algo totalmente selvagem.

A música dentro dos videogames
Breath Of The Wild – 2017

E selvagem eu diria que é a melhor palavra para defini-la. Pois tudo que é selvagem, na minha concepção é assim : as vezes muito calmo, pode passar uma impressão de paz e tranquilidade, mas num pequeno descuido e as coisas ficam trevosas. Assim segue a trilha de Breath of The Wild. Também diria que o jogo não tem uma trilha em si, pois as poucas músicas “de verdade” tocam em cidades ao decorrer do mapa, e em situações específicas. De resto, é curioso a escolha da apenas colocar uma ambientação com o uso do piano. Porque isso é algo tão simples, mas fica tão belo!

O amor dos fãs pelas OST

E quando eu falo que músicas também são capazes de construir uma relação afetiva do jogador e a empresa, é porque por meio destas músicas, os jogadores são capazes de mostrar um pouco de seu amor pelos videogames, como é o caso do canal FreddeGredde, que com frequência, faz vídeos reproduzindo as trilhas dos jogos da Nintendo, só que com o jeito dele.Ou ainda o String Player Gamer que produziu um vídeo de 30 minutos apenas tocando músicas originais da série Zelda, um outro vídeo de 13 minutos com músicas originais do Super Mario e em incríveis 9 minutos, foi capaz de listar mais de 20 músicas originais em um “Nintendo Ultra Medley“.

E isso nos mostra que um bom trabalho com a trilha sonora pode gerar um jogo com grandes chances de sucesso. Uma trilha bem trabalhada é capaz de prender mais o jogador na tela, e faze-lo sentir emoções únicas, que podem até mesmo se tornar sentimentos ; que um dia o farão revisitar aquele título novamente.

A música dentro dos videogames
Saria – Ocarina of Time – 1998

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Guilherme Morando
Um pequeno apaixonado por "The Legend of Zelda", e amante de jogos em MMO como "Diablo 3" e por fim, gosto muito de jogos indies , principalmente com puzzle.