[Review] Dynasty Warriors: Origins

[Review] Dynasty Warriors: Origins

Onde o caos vira estratégia

Meu interesse pelo gênero musou é relativamente recente, mas foi intenso o suficiente para me puxar para uma sequência de jogos quase sem pausa, esse foi meu terceiro musou consecutivo! Jogar vários títulos do gênero em seguida me ajudou a perceber algo que nem sempre fica claro à primeira vista: mesmo partindo da mesma base, cada musou tem seu próprio ritmo, sistemas e identidade. Pequenas diferenças na preparação das batalhas, na progressão e no combate já são suficientes para mudar completamente a experiência.

É dentro desse cenário que Dynasty Warriors: Origins se destaca. Em vez de seguir apenas a fórmula tradicional da franquia, o jogo se apresenta como uma releitura mais madura, com sistemas mais profundos e uma preocupação clara em tornar o campo de batalha menos automático e mais estratégico. A sensação é de um título que respeita suas origens, mas que também busca evoluir o gênero.

Aspectos Técnicos e Visuais

Dynasty Warriors: Origins é facilmente um dos jogos mais bonitos que já vi rodando no Nintendo Switch 2. As cutscenes são bem dirigidas, os cenários têm escala e personalidade, e o design dos personagens também está muito bem cuidado.

O jogo roda a 30 quadros por segundo de forma extremamente estável. Durante toda a minha experiência, não percebi quedas de desempenho, nem mesmo nas batalhas mais caóticas, com centenas ou até milhares de soldados ocupando a tela ao mesmo tempo. Sei que parte do público alvo prefere musous rodando a 60 fps, mas aqui a escolha por 30 fps fixos se mostrou acertada. Prefiro muito mais uma experiência consistente do que algo tecnicamente mais ambicioso, porém instável, como já vimos acontecer em outros títulos do gênero no passado (Age of Calamity no Nintendo Switch, por exemplo).

[Review] Dynasty Warriors: Origins

A história de Dynasty Warriors: Origins se passa durante o colapso da Dinastia Han, um período marcado por fome, corrupção e conflitos internos que antecedem a era dos Três Reinos. Diferente de outros jogos da série, aqui não assumimos o papel direto de um herói histórico logo de início.

O jogador começa a jornada como um andarilho sem nome, sem passado e sem memórias. Esse vazio narrativo funciona como um convite para que a história seja construída aos poucos, tanto pelas escolhas feitas quanto pelas alianças formadas ao longo do caminho. É um protagonista em branco, que vai ganhando identidade conforme os eventos se desenrolam.

O jogo introduz o caos social da época de forma gradual, começando com pequenas injustiças locais até escalar para conflitos de grande porte, como a Rebelião dos Turbantes Amarelos. Conforme avançamos, cruzamos com figuras centrais desse período histórico, e em determinado momento da campanha somos obrigados a escolher um clã para seguir. Essa decisão define o rumo da narrativa, altera batalhas disponíveis e muda completamente a perspectiva dos eventos apresentados.

Em alguns momentos, confesso que a história me pareceu densa e bastante complexa. Precisei parar, pesquisar e buscar referências fora do jogo para entender melhor o contexto histórico e político apresentado. Parte disso vem do fato de eu não ter praticamente nenhuma base sobre a história da China, então tudo ali era novo para mim. Ainda assim, esse esforço acabou sendo positivo. Aos poucos, fui me sentindo mais inserido naquele mundo em conflito, entendendo melhor os acontecimentos e dando mais peso ao que estava sendo contado.

Gameplay e Sistema de Batalha

Fluxo do Jogo

O fluxo de jogo em Dynasty Warriors: Origins é bem estruturado e ajuda a manter o ritmo da campanha sempre interessante. A progressão acontece a partir de um mapa-múndi que conecta batalhas principais da história, missões secundárias, escaramuças menores e eventos opcionais.

Entre uma grande batalha e outra, o jogo oferece momentos de respiro. É possível visitar cidades, preparar equipamentos, melhorar habilidades e interagir com o mundo antes de voltar ao campo de guerra fazendo missões secundárias e batalhas rápidas. Esse equilíbrio diminui (mas não elimina) a sensação de cansaço comum em musous mais longos, mantendo a experiência variada mesmo após várias horas de jogo.

Sistema de Batalha

O combate mantém a essência clássica do gênero, o conhecido “1 contra 1000”, mas aqui ele ganha uma camada estratégica muito mais presente. Não basta simplesmente avançar eliminando tudo pela frente sem pensar. Sistemas como a moral das tropas e as áreas de vantagem no mapa fazem com que seja necessário ler o campo de batalha o tempo todo.

Em vários momentos, eu realmente achei que estava com a situação sob controle, até ver tudo desandar em poucos segundos. Às vezes por ignorar um comandante inimigo, outras por deixar uma tática poderosa ser ativada ou, na maioria das minhas derrotas, por permitir que algum personagem importante morresse e colocasse fim à batalha ali mesmo. O lado bom é que o jogo permite recomeçar a partir de pontos intermediários, sem a necessidade de voltar tudo do início (ponto que me tranquilizou em vários momentos).

Ações do Jogador

O sistema de combate é mais profundo do que parece à primeira vista. Além dos ataques normais e fortes, o jogador conta com esquivas, bloqueios, parries que aqui são simplesmente indispensáveis, ao contrário de outros musous que joguei anteriormente, battle arts e contra-ataques especiais. Tudo isso se conecta aos sistemas de bravura e ao tempo de execução das ações, recompensando quem aprende a observar, entender e reagir aos padrões dos inimigos.

Os ataques evoluem ao longo da campanha, refletindo diretamente o crescimento do protagonista. No início, eles funcionam mais como um recurso de emergência. Com o tempo, passam a ser verdadeiras ferramentas de virada de jogo, capazes de mudar completamente o rumo de uma batalha.

Armas

Dynasty Warriors: Origins oferece nove tipos diferentes de armas, e cada uma realmente muda a forma de jogar. Em vários momentos, trocar de arma me fez sentir que eu estava enfrentando o jogo de outra maneira, não apenas usando combos diferentes, mas mudando completamente o ritmo, o alcance e até a forma de me posicionar em combate. Dependendo do seu estilo de jogo, você terá influência significativa de acordo com a arma escolhida.

Experimentar armas diferentes acabou se tornando algo natural ao longo da campanha, muitas vezes para cumprir missões secundárias ou desbloquear pontos de troca na árvore de habilidades do personagem. Além disso, o próprio sistema de progressão incentiva essa variação, já que a proficiência de cada arma influencia diretamente o crescimento do personagem, o desbloqueio de novas habilidades e o avanço de rank. No fim das contas, essa diversidade ajuda a manter o combate sempre interessante, mesmo depois de muitas horas enfrentando grandes quantidades de inimigos.

Progressão e Sensação de Crescimento

Um dos aspectos que mais gostei em Dynasty Warriors Origins foi a sensação clara de evolução do protagonista. No começo da campanha, eu precisava jogar de forma mais cautelosa, dependendo bastante de aliados, posicionamento e leitura do campo de batalha.

Conforme novas habilidades são desbloqueadas, armas dominadas e ranks alcançados, essa relação muda. Aos poucos, o jogo passa a transmitir a sensação de que você realmente está se tornando um Deus, capaz de liderar avanços e virar batalhas quase sozinho.

Dificuldade e Curva de Aprendizado

Dynasty Warriors Origins deixa claro desde cedo que sua curva de aprendizado é um pouco mais longa. Os sistemas são apresentados de forma gradual, mas o jogo não se preocupa em simplificar demais suas mecânicas, exigindo atenção e envolvimento do jogador para que tudo faça sentido. Ainda assim, a presença de diferentes níveis de dificuldade, que podem ser ajustados ao longo da campanha, ajuda a equilibrar a experiência e permite que cada jogador encontre um ritmo mais confortável enquanto aprende.

No entanto, ele se mostra rapidamente que apertar botões sem pensar não funciona por muito tempo. Conforme a campanha avança, os inimigos se tornam mais agressivos, as táticas mais elaboradas e os erros mais punidos. Existe uma curva de aprendizado bem definida, que recompensa jogadores dispostos a entender os sistemas de moral, coragem e posicionamento.

Conclusão

Dynasty Warriors: Origins é um jogo muito bem definido sobre o que ele quer ser e, principalmente, para quem ele é. Ele foi claramente pensado para quem já aprecia o gênero musou e para jogadores que têm interesse pela cultura e pela história chinesa, já que todo o jogo gira em torno desse contexto, sem tentar simplificar ou ocidentalizar demais sua proposta. Por outro lado, jogadores que buscam uma experiência mais casual provavelmente terão dificuldades para se conectar com o jogo, pois o jogo exige empenho, atenção e disposição para aprender seus sistemas. A curva de aprendizado é extensa, e o jogo não esconde isso. Ele recompensa quem se dedica a entender suas mecânicas, mas não tenta agradar quem espera algo totalmente automático ou descompromissado.

Um ponto (muito importante) que infelizmente pesa contra a experiência para o público brasileiro é a ausência de localização para o nosso idioma. O jogo não conta com legendas em português, estando disponível em idiomas como inglês e espanhol. No meu caso, joguei a campanha inteira em inglês, mas é impossível ignorar que essa barreira pode afastar muitos jogadores no Brasil, ainda mais considerando que a narrativa e os sistemas do jogo exigem uma boa compreensão de leitura.

No aspecto sonoro, Dynasty Warriors: Origins faz um ótimo trabalho. A trilha sonora cumpre bem seu papel, reforçando o clima épico das batalhas e se mantendo sempre coerente com o contexto histórico e a grandiosidade dos confrontos. Nada soa fora do lugar, e a música ajuda a sustentar a sensação de estar no meio de um conflito de grandes proporções.

As mecânicas de combate merecem destaque especial, principalmente o sistema de armas. É impressionante como cada tipo altera completamente a forma de jogar. Trocar de arma não é apenas uma mudança estética, mas uma transformação real no ritmo, alcance e estratégia adotada em batalha. Essa variedade mantém o gameplay sempre interessante e incentiva a experimentação constante.

Visualmente, o jogo também impressiona. Os gráficos são belíssimos no Nintendo Switch 2, com cenários amplos, personagens bem detalhados e campos de batalha cheios de vida. A opção por 30 quadros por segundo fixos e estáveis não me incomodou em nenhum momento. Pelo contrário, a estabilidade contribui para uma experiência mais consistente e agradável, mesmo nos momentos mais caóticos.

No fim, Dynasty Warriors: Origins é uma experiência sólida, ambiciosa e feita com muito cuidado. Não é um jogo para todos, mas para quem se encaixa na proposta, ele entrega exatamente o que promete: batalhas épicas, sistemas profundos e a sensação constante de estar participando de um grande momento histórico. O jogo chega para o Nintendo Switch 2 no dia 22 de Janeiro, custando R$339,00 na eshop brasileira.

[Review] Dynasty Warriors: Origins
Dinasty Warriors: Origins
Veredito
Dynasty Warriors: Origins é uma releitura mais madura do musou tradicional, focada em profundidade, estratégia e leitura constante do campo de batalha. Não é um jogo pensado para experiências casuais ou imediatas, exigindo dedicação para dominar seus sistemas e mecânicas. Em compensação, entrega batalhas intensas, variedade real de estilos de combate e uma progressão que recompensa o envolvimento do jogador. Mesmo com a ausência de localização em português, é uma experiência sólida e marcante para quem já aprecia o gênero e a cultura chinesa.
Design
95
Trilha Sonora
90
Diversão
85
Gameplay
90
Custo X Benefício
85
Prós
Combate profundo e estratégico
Variedade real de armas e estilos de jogo
Progressão consistente e recompensadora
Visual bonito e desempenho estável no Switch 2
Trilha sonora bem integrada à proposta
Contras
Curva de aprendizado longa
Sem localização em português
Narrativa densa para quem não conhece o contexto histórico
90
Nota Final
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Dynasty Warriors: Origins is a more mature take on the traditional musou formula, placing a strong emphasis on strategy, depth, and constant battlefield awareness. It is not designed as a casual experience, requiring time and commitment to fully understand its systems. In return, it delivers intense large scale battles, meaningful weapon variety, and a progression system that truly rewards player engagement. Despite the lack of Portuguese localization, it stands as a solid and compelling entry for players who already appreciate the genre and its historical context.

[Nota do Editor: Dynasty Warriors: Origins foi analisado com uma versão do Nintendo Switch 2. Uma chave do jogo foi gentilmente cedida pela One PR Studio em nome da Koei Tecmo para avaliação.]


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Gamer mineiro apaixonado pela Nintendo desde criança. Fire Emblem: Three Houses e Pikmin 4 são seus jogos favoritos do Switch. Instagram: @pvgm91 X: @pvgm91 F.C: 6972-9848-6184