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Minute of Islands - Não somos Ilhas

Minute of Islands – Não somos Ilhas

Lançado em Junho de 2021, Minute of Islands é um jogo de puzzle e plataforma desenvolvido pela Studio Fizbin e publicado pela Mixtvision que carrega várias mensagens, tendo claro foco narrativo e contemplativo. 

Minute of Islands - Não somos Ilhas

Infelizmente o jogo não está disponível em Português do Brasil, apesar de estar disponível em várias outras línguas.

A SALVAÇÃO DO MUNDO NAS SUAS MÃOS 

Mo, a jovem protagonista do jogo, foi imbuída da tarefa de fazer a manutenção de um sistema que protege o arquipélago em que vive da destruição por um fungo que destruiu quase que por completo a civilização do local. O sistema em questão permite a purificação do ar e é feito por 4 gigantes, que misteriosamente param de fazer seu trabalho. Cabe a Mo reativar os gigantes e salvar o local da dizimação. 

Minute of Islands - Não somos Ilhas

A mitologia por trás deste mundo é muito bem contada, explanando o necessário e deixando para a imaginação do jogador completar as lacunas das informações não dadas, tal qual mitologias ou crenças religiosas. 

O PESO DA RESPONSABILIDADE

Minute of Islands deixa claro que sua protagonista sofre, e convida o jogador a entender esse sofrimento, esse peso da responsabilidade que sufoca, que muitas vezes é imposto a nós. Seja salvar o mundo como aqui, ou seja a responsabilidade de dar um futuro adequado à sua família, por exemplo.

Mo é uma protagonista silenciosa na maior parte do tempo, e nesse elemento temos algo importantíssimo: ao silenciar, Mo se isola, como uma ilha, sem aceitar ajuda. Ajuda essa que ela recusa até mesmo dos familiares(personagens que aparecem no jogo). Mo não se permite descansar, relaxar. Mo nega estar ao lado de seus familiares para ter uma simples refeição, pois para Mo, o mundo depende dela.

Minute of Islands - Não somos Ilhas

A narrativa deste jogo é seu ponto alto. Além desta reflexão, muitas outras vêm ao longo do caminho, culminando em ótimos momentos que são organicamente representados pela excelente e precisa direção de arte do jogo.

A BELEZA DA DESOLAÇÃO 

A direção de arte é soberba, ela remete ao apocalipse com maestria. Cada canto do cenário conta a história de alguém ou algo que há muito foi esquecido. O estilo artístico do jogo lembra bastante o desenho Hora de Aventura (Adventure Time), outra obra que também carrega consigo um mundo destruído e agora em reconstrução. 

Minute of Islands - Não somos Ilhas

O jogo trabalha com uma paleta de cores extremamente variada e expande ao máximo a beleza dos cenários alternando entre os períodos do dia: o pôr do sol é belíssimo! Os reflexos na água são tão bem feitos que se tornam parte de puzzles em vários momentos da jogatina.

DESAFIOS E JOGABILIDADE 

É nesse aspecto que Minute of Islands sofre um pouco. Não é nem de longe um aspecto ruim, mas falta criatividade nos puzzles e na exploração. Entendo perfeitamente que este não é o foco do jogo, mas se ele foi pensado como jogo, ele deve conter elementos que justifiquem essa escolha. Um puzzle em específico me deu trabalho de resolver, e gostaria que mais desses estivessem disponíveis.  Os puzzles geralmente envolvem religar os gigantes, arrastando objetos e abrindo portas.

Os colecionáveis do jogo são memórias narrando algum aspecto da vida de Mo e são bem interessantes, mas também não são difíceis de achar.

Minute of Islands - Não somos Ilhas

Em alguns momentos ao longo da exploração tive problemas ao subir ou descer de algum local, seja porque o jogo não reconhecia que eu estava pulando em uma plataforma ou porque não reconhecia que eu queria descer de outra plataforma. E esses problemas são mais recorrentes do que gostaria de admitir.

A MELODIA DE MINUTE OF ISLANDS

Outro ponto máximo do jogo, a trilha sonora é excepcional. Cheias de instrumentos, as melodias passam a sensação de solidão e/ou introspecção de Mo com perfeição. São músicas que se repetem poucas vezes e todas têm algo a dizer no seu devido momento.

Minute of Islands - Não somos Ilhas

No início do jogo, a tela recomenda que o jogador use fones de ouvido, e foi o que fiz. É uma ótima experiência não só pela trilha sonora, mas pelos sons dos ambientes. Ouvir o vento é algo simples, mas aqui tem um peso significativo para criar essa sensação de isolamento, e ouvir algum barulho diferente ao longe nos faz imaginar se encontraremos algo ou alguém que nos tire dessa solidão. Destaque especial também para os sons das máquinas no jogo, simplesmente especial!

FATOR REPLAY

Minute of Islands dura cerca de 5 a 6 horas para ser completado e um pouco mais se o jogador decidir coletar todas as memórias de Mo. Caso o jogador queira jogar novamente, ele não encontrará grandes incentivos para isso, a não ser que tenha perdido algum colecionável, e para conseguir, deve criar um novo jogo, já que não existe seleção de capítulos. 

Minute of Islands - Não somos Ilhas

CONCLUSÃO 

Minute of islands é lindo. Com uma protagonista crível e bem escrita, ele abre espaço para ótimas discussões, sempre mantendo o excelente trabalho técnico. É uma história forte e importante, mas sua gameplay precisava de mais refinamento e melhores ideias.

Minute of Islands - Não somos Ilhas

De qualquer modo, é uma experiência incrível que recomendo de verdade, pois antes de iniciar o jogo, eu não sabia que a mensagem dele era pra mim, e quem sabe, talvez, seja para você também.

Minute of Islands
8.3 / 10 Nota Final
Prós
- Protagonista bem escrita
- Ótima narrativa e mensagem
- Excelente direção artística
- Trabalho sonoro de primeira
Contras
- Sem opção de Português do Brasil
- Gameplay precisa de mais criatividade
- Alguns bugs de colisão
Resumo
Minute of Islands é uma gratificante experiência sobre responsabilidade e aceitação das fraquezas. É muito bem dirigido na parte da trilha sonora e design artístico, mas falha em proporcionar uma jogabilidade mais divertida e refinada.
Design
Trilha Sonora
Diversão
Gameplay
Custo x Benefício

[Nota do Editor: Minute of Islands foi analisado a partir da sua versão para Nintendo Switch. A cópia do jogo foi gentilmente cedida pela Mixtvision]


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Júlio Santos
Apaixonado por obras audiovisuais, mas com um espaço especial no coração para videogames. Aficionado por boas narrativas, gosta de estudar e escrever roteiros, além de análises diversas. Twitter: @JlioHeitorSant1