Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Nintendista, Quo Vadis?

Nintendista, Quo Vadis?

Você ama a Nintendo, mas já se perguntou onde essa amor pode te levar?
Você ama a Nintendo, mas já se perguntou onde essa amor pode te levar?

Nesses dias tão incertos a única certeza que temos é que não sabemos de nada. Não sabemos como tudo a nossa volta se reconstruirá ou como sairemos dessa pandemia. Sabemos apenas que pequenos momentos de prazer e diversão se fazem necessários. Sabemos também que aquilo que mais gostamos é essencial para a nossa saúde mental. Nossa geração vive a mais brutal revolução industrial, muito mais brutal que as anteriores pois qualquer avanço e descoberta já é compartilhado com bilhões de pessoas e automaticamente comercializado. Consumir tais produtos faz parte da nossa vida moderna tanto quanto comer e dormir, mas será que não estamos indo um pouco além?

Empresas visam o lucro. Parece uma simples afirmação não parece? Todas as empresas visam o lucro e quanto maior a empresa maior o lucro por ela almejado. Uma empresa centenária que já expandiu seus negócios e horizontes pelo mundo e por todas as culturas que se utilizam de tecnologia visa não só o lucro como também a perpetuação de sua marca, tornar-se relevante, ser sempre atual, revigorar seus produtos e comunicação para que novos consumidores sejam fidelizados. É um organismo buscando novas formas de sobreviver, perpetuar e sustentar não só as suas atividades como seus associados. Fornece produtos que nós consumimos com prazer e pagamos com suor (ou lágrimas).

O prazer do consumo pode muitas vezes transformar essa relação em algo insalubre para a parte mais fraca, a parte que não tem bilhões em ações, estratégias de marketing e milhares de produtos no mercado. Esse prazer de adquirir novos jogos, controles e produtos da Nintendo pode se transformar em insalubre devido ao apego emocional, memória afetiva ou puro consumismo mesmo. Quando esses fatores amalgamados transcendem o limite do razoável não apenas a nossa parte financeira é afetada, nossa mente se torna presa fácil para abusos diretos ou indiretos de qualquer empresa. Abusos que podem partir de muitos “fãs” apaixonados que assumem novas identidades, novas personas idólatras que buscam um lugar ao sol espalhando o evangelho da empresas (qualquer empresa) buscando fama, dinheiro e um bom relacionamento recebendo mimos e mais mimos que o consumidor comum jamais receberá. Justo? Certo? Não é esse o ponto dessa coluna. Cada um sabe onde quer chegar e qual o preço quer pagar ou ser pago. O ponto aqui é como tudo isso afeta o consumidor comum, não o youtuber “sempre sorridente” cheio de marketing terceirizado.

Podemos até achar legal receber informações e conteúdo sobre a Nintendo, na verdade nós amamos receber tudo isso de fontes confiáveis, fidedignas e honestas. Sorver e absorver cultura/informação da dona do Mario não tem nada de errado, contanto que isso não se transforme em idolatria descabida ou relação abusiva virtual. Você ama a empresa, porém a empresa não te ama. Ela ama o seu dinheiro, ela te agrada pra ter o seu dinheiro e tudo que ela pede é que você consuma mais e não reclame. Ela tem impostos, funcionários e contas a pagar. Ela pensa em você como consumidor, então pense nela como empresa. Não a acuse de ser “anti-consumidor”, é o mesmo que acusar um peixe de ser “anti-água”. Quando a água acaba, ele morre, então…

Um tema tão espinhoso e indigesto com toda certeza não é fácil de ser abordado. A linha tênue entre falar aquilo que se pensa e falar “mal” fica cada vez mais tênue quando paixões e dependências tentam ser expostas e cutucadas sem dó. Caras feias e discordâncias são muito bem vindas, comentários ainda mais. Com respeito e educação tudo é bem aceito. O que essa coluna busca hoje é apenas levantar a questão de onde tudo isso irá nos levar, esse consumismo, dependência, ansiedade, amor, ódio, dor e prazer. Enquanto uma empresa visa o lucro, o que deve visar seu consumidor? Melhores produtos? Respeito? Cumplicidade? O quê o Nintendista quer e o quê a Nintendo realmente pode dar? E a pergunta persiste:

Nintendista, Quo Vadis?

Bom final de semana, fiquem bem.


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

@Nersito
Nerd, nostálgico, pai e professor. Reclamador profissional com PHD em Harvard. Conheço o Mario, e daí? Assopra a fita e bora jogar! Canal Juninhos Fun Club no Youtube!!!