Sendo o mais novo título da franquia que inaugurou e popularizou o estilo HD-2D desenvolvido pelo estúdio interno da Square Enix, o Team Asano, Octopath Traveler 0 chega ao Nintendo Switch 2 trazendo inovações tão interessantes quanto instigantes: criação de personagem, construção de vilarejo, combates com oito integrantes na party e muito mais. Mas afinal, essas novidades realmente elevam a fórmula ou acabam se perdendo pelo caminho? Confira na review abaixo.
História

Diferentemente dos outros games da franquia, Octopath Traveler 0 abandona a fórmula que dá origem ao seu título, aquela estrutura de acompanhar oito histórias individuais que, apesar de incríveis, mal se conectam, salvo por pequenas interações fora de cena. Agora, o jogador cria e customiza o protagonista de uma história que está mais linear do que nunca.
Você é o(a) morador(a) de uma pequena vila alegre e acolhedora chamada Wishvale, onde todos vivem em harmonia. Uma vida tranquila e simpática. Até que, de repente, um ataque massivo devasta essa paz e reduz tudo aquilo que você conhecia a cinzas, deixando poucos sobreviventes. O motivo do ataque está ligado a questões muito maiores do que a realidade daquela pequena vila: a busca incessante por riqueza, fama e poder por parte de indivíduos dispostos a ultrapassar qualquer limite para alcançá-los. E eles irão pagar. Caso contrário, toda Orsterra, o continente onde o game se passa, corre perigo.
Mas essa não é apenas uma história de vingança, é uma história de recomeço e superação. Desde os trailers, já estava claro o fato de que reconstruiríamos uma vila destruída, mas o início do game faz questão de nos fazer criar laços com aquele lugar. Os costumes simples, os velhinhos simpáticos que cuidam das colheitas, as crianças brincando, nossos amigos, moradores felizes prestes a se casar… Tudo é apresentado com tanto carinho que, em pouco tempo, não conseguimos pensar em outra coisa além de proteger todos os cidadãos dali.

Após a catástrofe, o desejo fervoroso de vingança só torna ainda mais emocionante a vontade de reconstruir nosso lar. E essa é a principal mensagem que o jogo quer transmitir. A reconstrução nos acompanha do começo ao fim: reerguer Wishvale do zero, reconstruir estruturas e convidar novos moradores, incluindo os sobreviventes da invasão, devolve alma ao vilarejo. Juntamos caco por caco com paciência, esperança e amor. Essa mecânica não funciona apenas como complemento de gameplay, mas como um lembrete constante do motivo maior da nossa jornada, aquilo que dá sentido a tudo.
Como dito anteriormente, a história gira em torno desses eventos e de nosso protagonista. E, para não dizer que não há qualquer divisão, seguimos caminhos específicos para lidar com três vilões que representam, individualmente, a riqueza, a fama e o poder. Ainda assim, a narrativa consegue avançar além disso, trazendo uma profundidade que, embora esperada pelos dois jogos anteriores, não deixa de surpreender. Com novos personagens cada vez mais profundos aparecendo, mistérios e muita emoção, a progressão e o ritmo da história são excelentes e ficam ainda melhores graças às novas adições, como a possibilidade de decidir o rumo de determinados eventos e os mais de 30 personagens recrutáveis, que se encaixam de forma muito mais natural na jornada do que nos games anteriores. Em Octopath Traveler 0, os companheiros que encontramos pelo caminho têm seus próprios motivos para nos acompanhar, cada um ao seu jeito, e tanto a inclusão quanto a motivação deles são bastante orgânicas, fazendo com que eles não pareçam meros espectadores passivos dos acontecimentos.
A narrativa sempre foi o grande ponto forte do Team Asano, e aqui não poderia ser diferente. É uma história épica e com plots surpreendentes. O game é uma prequel de Octopath Traveler 1 e faz referências ao título, mas, no geral, OT0 possui uma história totalmente independente, podendo ser jogado e aproveitado plenamente por quem está conhecendo a franquia agora.
Gameplay

Logo ao iniciar o game, somos apresentados ao interessante criador de personagem, que oferece poucas, porém boas opções de customização para a aparência e alguns traços de comportamento. Além disso, é possível escolher pertences e gostos que dão um toque extra de personalidade ao protagonista, bem como definir suas aptidões para que ele se encaixe melhor no playstyle e na ideia que cada jogador tem para aquele personagem.
Falando das batalhas, elas seguem o modelo já consagrado dos outros títulos da franquia: combates por turno nos quais é possível visualizar a ordem das ações de cada personagem por meio de uma valiosa linha do tempo no topo da tela. Uma das marcas registradas do combate de Octopath Traveler, e que se mantém em OT0, é o sistema de Break and Burst. Basicamente, os inimigos possuem uma espécie de armadura que reduz o dano recebido de ataques e magias, a menos que sejam atingidos por tipos aos quais possuem fraqueza. Quando isso acontece, além de sofrerem mais dano, o contador dessa armadura diminui e, ao chegar a zero, ela é quebrada. Nesse estado, o inimigo passa a receber dano amplificado de todas as fontes e ainda perde seu turno atual e o subsequente, abrindo uma brecha ideal para causar o máximo de dano possível até que sua defesa se recomponha.
Antes, as batalhas aconteciam com uma party de quatro combatentes; agora, são oito. A forma como esse aumento foi implementado é bastante satisfatória. Conforme novos personagens são recrutados para a jornada e o número ultrapassa quatro, é possível posicioná-los em um slot na retaguarda de um personagem já presente na party, sendo possível organizar essa formação com mais precisão nas tavernas. Durante as batalhas, os personagens podem trocar livremente de lugar com o “reserva” ligado ao seu slot, sem gastar a ação do turno, o que abre inúmeras possibilidades estratégicas e torna os combates ainda mais profundos.

Isso não significa, porém, que os personagens na retaguarda apenas assistam passivamente às lutas. Enquanto estão ali, eles apoiam os quatro da linha de frente com curas e buffs, além de também acumularem BP (pontos que cada personagem recebe a cada turno e que podem ser gastos para executar múltiplos golpes consecutivos com a arma equipada em um único turno ou para potencializar habilidades).
Essa implementação adiciona uma profundidade muito bem-vinda ao game, especialmente ao considerar os jobs que o protagonista pode escolher (e até alterar durante a gameplay, caso queira, já que os atributos se ajustam automaticamente ao novo job), e os personagens recrutáveis, cada um com um playstyle e armas próprias. Curar e buffar aliados, provocar inimigos para atacar o personagem mais resistente, agir mais rápido do que qualquer outro ou aplicar efeitos negativos: há personagens para cumprir praticamente qualquer função em batalha, atendendo às preferências de todo tipo de jogador e oferecendo uma experiência ótima de teambuilding.
Aqueles que jogarem OT0 como o primeiro título da franquia podem estranhar a experiência de uma história fragmentada em três arcos no início com o nível das ameaças não acompanhando o do jogador, gerando uma certa quebra de ritmo. Embora veteranos da série já estejam acostumados com isso, ainda assim é um ponto que merece ser destacado.

Por se tratar de um JRPG com um sistema tão clássico, é natural se perguntar se o jogo exige grinding, e a resposta é sim, mas de forma pouco maçante. Os encontros aleatórios em áreas “perigosas” são mais frequentes do que o normal, porém, após descobrir as fraquezas dos inimigos daquela região, as batalhas se tornam rápidas o suficiente para não causar grande incômodo. Ou seja, durante o trajeto até a missão que o jogador está seguindo (cujo mapa indica a localização e o nível recomendado), apenas derrotando os inimigos pelo caminho, dificilmente será necessário ficar andando em círculos para upar. O grinding que realmente exige mais esforço está ligado ao dinheiro do game, já que adquirir os melhores equipamentos para oito personagens não é barato.
A gameplay, como um todo, permanece bastante fiel à fórmula que já vinha funcionando nos últimos jogos da franquia. Partir em uma jornada por um vasto mapa repleto de cidades, NPCs que oferecem benefícios e itens ao serem interagidos (podendo inclusive ser invocados em batalha se devidamente influenciados), inimigos, side quests, masmorras secretas, tesouros, materiais, mini-bosses, personagens recrutáveis, eventos especiais ligados à motivação de cada integrante da party e por aí vai. Conteúdo é o que não falta aqui, e é justamente nessa exploração tão recompensadora que a fluidez do game se destaca, transmitindo a clara sensação de que o jogo foi feito com o devido carinho.
Dicas do Dudu:
- Explore todos os cantos do mapa sempre e procure por todos os NPCs.
- Ao avançar no game, os bosses ficam consideravelmente mais complicados. Então, upar um pouco além do recomendado pode vir a calhar para aqueles que não estão muito acostumados com as batalhas de Octopath.
- É importante ler o que cada personagem prefere fazer em batalha. Por exemplo: Phenn, mesmo sendo um caçador, prefere aumentar as suas defesas e se deixar ser atingido para aproveitar ao máximo a sua habilidade de disparar três flechas, uma vez que elas causam mais dano com base em quantos golpes ele sofreu naquele turno.
- Utilize os BPs com sabedoria, não apenas para quebrar constantemente a defesa dos oponentes, mas também para causar o máximo de dano possível assim que eles estiverem expostos. Ficar atento aos BPs da retaguarda, para usar uma habilidade em sua força máxima, tem muito valor.
Wishvale

Sendo um verdadeiro refúgio entre a adrenalina das batalhas e a carga emocional da narrativa, Wishvale, além de representar o cerne da aventura, surge como uma adição agradável e até relaxante à gameplay.
Conforme a história avança e as missões próprias de Wishvale são concluídas, vamos desbloqueando novas estruturas para construir e, passo a passo, dar vida novamente àquela pequena vila. Cada NPC que convidamos a morar em Wishvale, desde que tenha uma casa construída para si, passa a oferecer uma ajuda específica para a reconstrução do local, como o fornecimento de materiais, por exemplo.
O modo de construção é bastante intuitivo, e as estruturas são fáceis de alterar, oferecendo uma experiência à la Animal Crossing, permitindo que o jogador decore e deixe Wishvale com a sua cara. Mas não é só estética: a maioria das construções possui funções que auxiliam, e muito, ao longo da jornada, como cozinhar o seu prato preferido (que você pode até escolher o nome) para receber cura e buffs durante as batalhas, ou até mesmo treinar personagens que não estão sendo usados momentaneamente na party, fazendo com que acompanhem o nível do restante do grupo. Isso se mostra essencial para manter a fluidez do game e deixar sempre aberto um amplo leque de opções para o teambuilding ao gosto do jogador (afinal, todo mundo merece brilhar, né?).
Arte

Octopath Traveler estreou e popularizou o tão amado estilo de arte HD-2D, que cria um verdadeiro choque entre o poder da tecnologia atual e o charme dos jogos retrô. O efeito causado por esse estilo, principalmente em Octopath, remete a uma sensação muito semelhante à de assistir a uma peça de teatro: cenários que parecem um palco, cenas lindas, cutscenes cuidadosamente bem-feitas e uma trilha sonora que, mais uma vez, assim como nos outros dois jogos da franquia, figura facilmente entre as melhores deste milênio. Ao unir tudo isso a um enredo épico e a falas muito bem escritas, a imersão é potencializada junto da imaginação, fazendo com que o jogador sinta que está vivendo um clássico em pleno 2025.
O universo é tão rico quanto seus cenários. Criatividade e carisma compõem a vasta gama de personagens apresentados pelo game, e alguns deles contam com dublagem que, tanto em japonês quanto em inglês, está impecável. Os pequenos diálogos entre os personagens recrutados em Wishvale ajudam bastante a reforçar aquela sensação de “estamos juntos em uma jornada”, com cada personalidade interagindo à sua maneira e criando um forte sentimento de proximidade. Um ponto a se ressaltar, todavia, é que o game conta apenas com dois idiomas disponíveis, japonês e inglês, tanto para voz quanto para texto, número inferior ao de Octopath Traveler II, que, infelizmente, também não possui tradução em PT-BR.
Conclusão

Octopath Traveler 0 mantém a essência da franquia ao apresentar uma narrativa épica e emocionante, embalada por uma direção de arte fabulosa e uma trilha sonora de arrepiar. As novas adições foram um acerto em cheio: poder usar 8 personagens traz toda uma outra dimensão às batalhas, e a possibilidade de criar e customizar o protagonista se mostrou algo muito interessante.
O universo foi construído com muito carinho e Wishvale funcionou perfeitamente como o coração da jornada. Servindo muitas vezes de refúgio, a satisfação de construir aquela pequena vila bloco por bloco, deixando-a com a nossa cara, é um grande ponto positivo. No mais, a gameplay está fluida, o game está lotado de conteúdo e a progressão da história ganhou aquela linearidade tão pedida. OT0 é fortemente recomendado para fãs de JRPG, sendo um must buy se você já jogou e curtiu os outros dois títulos da franquia.
Octopath Traveler 0 preserves the soul of the franchise with an epic narrative, stunning art, and a spine-chilling soundtrack, while also innovating through its eight-character combat system and protagonist customization — both spot-on additions. With the satisfying development of Wishvale serving as the heart of the journey, fluid gameplay, and the long-requested linear storytelling, the title comes highly recommended for JRPG fans and is a must-buy for those who already love the series.
[Nota do Editor: Octopath Traveler 0 foi analisado a partir da sua versão para Nintendo Switch 2. A cópia do jogo foi gentilmente cedida pela Square Enix para avaliação.]



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