O termo “old school” pode ser traduzido como “velha guarda” ou “velhos tempos”. Nos games, portanto, é algo que remete ao estilo nostálgico, seja visual ou em mecânicas de gameplay, de jogos retrô. E Old School Rally é exatamente isso. Uma experiência de rali que remonta aos anos 1990, com jogabilidade que, entre o arcade e o simulador, encontra o equilíbrio perfeito, tendo a diversão como principal pilar.
Criado pela Frozen Lake Games, estúdio independente da Grécia formado por “um desenvolvedor solo apaixonado por jogos clássicos de rally em 3D”, que “busca preencher uma lacuna existente nos jogos de rally modernos”, o game é publicado pela Astrolabe Games. Ou seja: é uma experiência essencialmente indie – o que é muito bom. Seria difícil ver uma proposta como essa vinda de um grande conglomerado.
Uma das claras referências de Old School Rally é Sega Rally, e outra é Colin McRae Rally 2.0, lançado em 2000 para PC e PlayStation. Mas este autor precisa acrescentar que a experiência lembrou, de maneira muito positiva, uma lembrança escondida na memória há mais de 25 anos, de quando ele jogava Network Q RAC Rally Championship (1996), no saudoso MS DOS.

Por estas referências fica claro que Old School Rally se inspira em gráficos low poly. É uma tendência da indústria de games atual: provocar sentimentos nostálgicos a partir de um pacote que apresente visuais como os do Nintendo 64 e jogabilidade como a dos melhores games da época 32/64 bits.
Falando mais diretamente, as palavras do desenvolvedor resumem bem: “Old School Rally foi projetado para ser fácil de aprender e aproveitar, trazendo um charme retrô nostálgico e oferecendo uma experiência de rally satisfatória tanto para jogadores casuais quanto para especialistas.”
Modos de jogo

Existem alguns tipos de jogo do estilo rali. Enquanto alguns, como a franquia Dirt, seguem um estilo de corrida mais tradicional, porém em circuitos de terra e neve, outros, como Old School Rally, seguem à risca o esporte no qual se inspiram. Isso quer dizer que o principal modo de jogo é o rali, que consiste em percursos que vão do ponto A ao ponto B, onde a corrida é contra o tempo. A cada uma das seções da pista é preciso buscar o melhor traçado, a melhor linha para cada curva, rampa, poça de água e outros obstáculos.
São 24 pistas em 10 diferentes países, como Austrália, Grécia, China, Finlândia, Alemanha e outros. E os terrenos, que incluem terra, asfalto e neve vão ficando gradualmente mais complexos.
No rali não há minimapa da pista. Como na vida real, você tem um copiloto que vai descrevendo a próxima curva, que pode ser fechada, aberta, de baixa ou alta velocidade, e também obstáculos, como pontes, poças de água e assim por diante.
Ao concluir as etapas você vai para a garagem, onde é possível ir à próxima seção, obter informações sobre a pista e, se você tiver sorte, consertar seu carro! É isso mesmo. Quando você bate em uma árvore, contra a parede ou qualquer coisa do tipo, os motor e outras partes do carro vão se desgastando, quebrando em razão do dano absorvido. E eventualmente você pode consertar, mas com estratégia.
Em uma mecânica inspirada em jogos da série Colin McRae, cada conserto leva 10 minutos fictícios, e você tem somente 60 minutos ao todo. Então aproveite bem o tempo e resolva os problemas essenciais. Agora, uma observação: a tela diz para apertar os botões + e – para efetuar os consertos. Mas não faça isso literalmente! Acontece que o Nintendo Switch tem botões físicos com exatamente os símbolos + e –, mas o jogo se refere aos ícones virtuais, que aparecem na tela. Pode parecer bobo mencionar isso, mas este autor demorou vários minutos para perceber o que precisava apertar.
O próximo modo é o Versus, que funciona muito bem para jogar em dupla, com tela dividida, mas também contra a máquina. É quase como uma corrida de jogos de corrida convencionais: há você e mais um piloto na pista. E vence quem cruzar primeiro a linha de chegada.
E ainda tem o Time Trial, que é competir contra o tempo em estágios individuais. E um bônus: o modo de foto dentro das corridas, que é bem interessante. É como voltar no tempo, para um passado onde o que hoje é retrô ainda era atual.
Os carros

São 32 veículos para escolher, sendo que apenas alguns estão disponíveis no início. E isso faz parte do “pacote retrô” mencionado acima. Para ter acesso aos veículos, é preciso vencer os ralis. E para vencê-los é preciso praticar, então aí está o ciclo de gameplay.
São, ao todo, 50 itens para desbloquear – ou comprar com as moedas conquistadas ao vencer etapas -, incluindo os carros, que são fictícios, porém inspirados em modelos reais. Fique tranquilo: os principais modelos da história do esporte estão aqui. Tem um inspirado no Toyota Celica, outros no Ford Focus, Lancia Delta, Mitsubichi Lancer, Ford Escort e muitos mais. Inclusive o Subaru Impreza. E sabe o que é mais legal? As cores e adesivos clássicos estão inclusos (é claro que sem os nomes reais de equipes, montadoras e patrocinadores), o que aumenta e muito a imersão!
Trilha sonora

As músicas de Old School Rally são como o desenvolvedor as define: eletrizantes. A trilha sonora é comporta por mais de 30 faixas originais que variam do eletrônico ao rock, combinando perfeitamente com cada um dos belos cenários, menus e tudo o mais.
Existe um gênero musical chamado House Rally, que mistura sonoridade old school dos anos 1990 com phonk, hardcore breaks e outras referências. Old School Rally apresenta um álbum inteiro e cheio de qualidade neste estilo, bem como um outro álbum de metal industrial. É realmente tudo muito bom, e há inclusive um menu para degustar da trilha sonora.
Este autor costuma, em jogos de corrida, desativar a trilha sonora, para que o som do motor prevaleça. Mas aqui não. Porque as músicas só apresentam acertos e pontos positivos.
Jogabilidade

Ao disponibilizar a chave de Old School Rally ao Project N, a Astrolabe Games teve o carinho de informar que as diferentes pessoas que testaram o jogo apresentaram diferentes preferências por físicas de pilotagem, e que seria fácil ajustar a senbilidade dos freios e da direção ao gosto do freguês no menu de opções.
Essa dica não poderia ter sido mais útil. Isso porque ao utilizar a câmera que mostra o carro inteiro na tela, com visão da traseira do veículo, a opção padrão de sensibilidade foi a melhor. Mas ao trocar para a visão do cockpit, deixar o volante mais sensível ao toque do analógico foi mais interessante.
Dito isso, a jogabilidade não poderia ser mais agradável. A diversão está presente do início ao fim das pistas, assim como a adrenalina, a sensação de velocidade e a percepção de que se você não atingiu o tempo necessário, foi porque errou a abordagem para aquela curva, o ponto de frenagem ou algo parecido.
Cada carro tem quatro características: aceleração, velocidade máxima, dirigibilidade e capacidade de frenagem. E a escolha deve ser estratégica. Em um primeiro momento, sinta a pista e tente se adaptar a ela. Depois, repita o percurso com o carro ideal para seu estilo. Por exemplo: para um traçado com muitas curvas fechadas pode ser mais interessante um veículo com dirigibilidade maior, para derrapar e otimizar a frenagem. Já para outro com muitas retas, velocidade máxima certamente será útil. E outro com várias curvas de pequena e média intensidade, e inclusive chicanes (sequência de curvas em ziguezague), a aceleração será fundamental para não perder o ritmo.
Nota do autor: a biblioteca do Nintendo Switch conta com vários jogos da franquia WRC, que é a marca oficial do campeonato mundial de rally. Mas nenhum deles é tão divertido quanto Old School Rally.
Visuais

Os visuais de Old School Rally são do tipo “ame ou odeie”. No caso, este autor ama, porque gosta da estética retrô, low poly, que remete aos anos 1990 e início dos anos 2000. Tanto os carros,como pistas e cenários são assim, como se um jogo do primeiro PlayStation tivesse sido lançado hoje. Como fosse pouco, há um filtro CRT que funciona muito bem e dá o clima perfeito de televisão de tubo, que mescla pixels adjacentes e torna os visuais mais ricos.
Há um menu para visualizar os modelos dos carros como se fossem miniaturas. Dá até para personalizar a aparência da parede e da prateleira. Mas o curioso é que, na prateleira, os carros são mais bonitos do que no jogo em si. Talvez “bonitos” não seja a palavra, e sim “redondos”. A sensação é de que, no gameplay, os veículos apresentam contornos mais quadrados e pixelizados, o que não é ruim, apenas uma característica, assim como o reflexo dos vidros dos veículos, que lembram o que foi apresentado nos dois primeiros jogos da série Gran Turismo.
Agora, para além disso existe todo um sistema de clima com chuva, sol, ciclo de dia e noite e outras questões, o que deixa os cenários mais inspirados e mais desafiadores, porque as mudanças afetam a gemaplay.
Custo x Benefício

R$ 99 é barato para um jogo indie? Não. Mas no caso do Old School Rally, não é um preço caro a se pagar. Eu explico: está disponível no Nintendo Switch o V-Rally 4, que custa R$ 240,00. Já os jogos da franquia WRC, quando não em promoção, custam entre R$ 200 e R$ 240,00 cada. Isso torna a balança custo x benefício muito a favor do game da Frozen Lake Games.
Além desta matemática, outra forma de enxergar é visualizar que o jogo apresenta conteúdo suficiente para justificar o preço cobrado na eShop brasileira. São tantos carros e pistas para escolher que o fator replay é garantido. E se você tiver com quem jogar em dupla, o modo versus em tela dividida certamente vai estender o tempo de entretenimento.
O fator negativo é o fato do idioma Português Brasileiro não ser contemplado pelo título. Porém, sendo sincero, há pouco para ler, então vale mais um game divertido de rali em inglês na mão do que um em português voando. Entende?
E outra coisa: a descrição oficial do jogo traz uma informação bem interessante, que sugere atualizações futuras: “O jogo evoluirá com o tempo, por isso seu feedback é muito importante. Sinta-se à vontade para enviar seus comentários na página da comunidade do jogo.” E a[i, será que o famoso e brasileiro Rally dos Sertões será incluído?
To use a cliché, Old School Rally is a love letter to rally games. But this game, developed by a single person, is much more than that and delivers on its promise by filling a gap in modern games of this genre. Old School Rally is lovingly developed, fun in its gameplay, and good at everything it sets out to do. For retro gamers, it’s more than the right choice. And for those who (still) don’t like the low-poly aesthetic, this might be the title that changes that.
[Nota do Editor: Old School Rally foi analisado no Nintendo Switch 1. A cópia do jogo foi gentilmente cedida pela Astrolabe Games para avaliação.



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