[Review] Dragon Quest VII Reimagined

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

(Esta análise foi realizada com base no acesso antecipado à versão de Dragon Quest VII Reimagined para Nintendo Switch 2.)

Um dos capítulos mais adorados da franquia, Dragon Quest VII finalmente recebeu o tratamento e o carinho que um título de sua genialidade sempre mereceu. Desenvolvida pela Hexadrive Co., Ltd. e publicada pela Square Enix, a versão Reimagined acaba de desembarcar no Nintendo Switch 2 com a missão de adaptar esse clássico às exigências da era moderna.

Afinal, será que esta reimaginação, termo escolhido a dedo pelo produtor Takeshi Ichikawa para refletir as profundas mudanças na obra, realmente acertou o alvo? Confira a review abaixo!

História e Universo

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

É a mais pura essência da franquia Dragon Quest. Você é um jovem garoto, filho de pescador, que sonha alto e busca fazer da sua vida uma grande aventura! Algo difícil de se viver enquanto se está “preso” a uma rotina pacata. Portanto, surge o pensamento: “A vida é apenas essa tranquilidade? O que se esconde para além daquele mar?”.

Não sendo o único que sente essa inquietação, o protagonista se une aos seus amigos de infância: Kiefer, príncipe do reino de Estard (terra natal do herói), e Maribel, filha do prefeito de Pilchard Bay, que compartilham da vontade inocente e jovial de sair explorando o mundo. Coincidentemente, os pequenos aventureiros encontram um misterioso santuário e acabam por se tornar dignos de acessar as chocantes verdades que ele esconde: ilhas inteiras foram apagadas por uma força maligna.

Em um surto de heroísmo e inconsequência juvenil para com os sentimentos e recomendações de seus pais, os garotos partem em uma nobre jornada a fim de restaurar as ilhas e salvar a história perdida. Para fazê-lo, é necessário recolher fragmentos de placas espalhados pelo mundo, tornando possível a viagem no tempo até cada uma das ilhas perdidas. O objetivo é ajudar a resolver os problemas que assolam o passado delas e derrotar os malfeitores, além de descobrir, pouco a pouco, quem está por trás de toda essa maldade para pôr um fim a tudo isso.

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

A narrativa é uma das, se não a maior, riquezas desse game. Cada ilha possui a sua própria cultura, inspirada nos mais diversos países do mundo real (incluindo o idioma), e a sua própria história a ser contada. A sensação que a aventura passa pode ser comparada àquela que se tem ao assistir ao famoso anime One Piece, onde os protagonistas desbravam inúmeras ilhas com problemas e situações diversas, oferecendo experiências únicas e sempre deixando um pedaço de si ao longo do caminho. Isso contribui para o desenvolvimento dos personagens, forjando laços e até encontrando novos companheiros, tudo isso enquanto mantêm um objetivo grandioso à frente.

Mesmo com um início lento e bastante introdutório, as mudanças da versão Reimagined acertaram em cheio aqui. O progredir da história está muito mais natural e o ritmo está excelente. A empolgação da jornada do herói, típica da franquia, se faz presente e é maximizada pelas boas reviravoltas que a narrativa traz e, principalmente, pela curiosidade que um universo tão rico proporciona, ainda mais podendo visitar as ilhas tanto no passado quanto no presente e se deparar com cenários inesperados e sempre criativos.

O jogo possui uma história independente, portanto, os novatos são muito bem-vindos, seja para conhecer o game em si, seja para ingressar no gênero JRPG. Jogadores veteranos poderão sentir falta de alguns conteúdos cortados, mesmo que a maior parte narrativa ainda se mantenha como histórias facultativas, mas, no geral, as mudanças mais alegraram do que entristeceram.

Gameplay

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

Estamos falando da franquia que popularizou o estilo clássico dos JRPGs e, na versão Reimagined, nos deparamos com implementações que podem muito bem ser interpretadas como o futuro do gênero para a era moderna, ainda mantendo o charme original.

A começar pelos combates, temos a típica batalha por turnos onde se pode escolher entre atacar, defender, conjurar feitiços com os mais diversos efeitos, usar itens e selecionar qual inimigo atingir. Mas os encontros durante a exploração deixaram de ser aleatórios, como era de praxe antigamente. Agora, os monstros são visíveis no mapa, oferecendo uma escolha confortável ao jogador: decidir se ele quer (e consegue) enfrentar as criaturas presentes ou se prefere apenas ignorá-las e prosseguir sem riscos. Além disso, todas as fraquezas e resistências de cada inimigo são fornecidas ao jogador durante o combate, eliminando a necessidade de testar cada tipo de golpe em um monstro para descobrir quais são os mais eficazes. E, caso o inimigo seja fraco demais e o confronto represente apenas uma perda de tempo, ele será automaticamente derrotado, e você ainda receberá as recompensas daquele combate..

Continuando com as mudanças muito bem-vindas, os personagens agora compartilham o inventário, deixando de lado aquela necessidade chata de atribuir itens individualmente. Os menus também foram totalmente polidos e otimizados para um acesso rápido. Corroborando com essa otimização do tempo, foram disponibilizadas funções de atalho durante a exploração: com apenas um botão, um personagem capacitado pode curar totalmente a equipe (sem precisar “healar” um por um) ou abrir instantaneamente o menu de troca de vocação (que abordaremos já, já).

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A exploração está prazerosa graças às recompensas que o jogo oferece à curiosidade, como baús de tesouro, placas para dar continuidade à história e NPCs de fato interessantes. Outro ponto positivo é a movimentação, que está muito fluida. Chegar aos lugares sem enfrentar infinitos encontros aleatórios, contemplar paisagens lindas e utilizar o Zoom para chegar instantaneamente ao destino tornam o jogo tão bem ritmado quanto a sua narrativa. Além disso, o game apresenta inúmeros puzzles criativos que prendem a atenção do jogador.

Ritmo é a palavra-chave aqui. Tudo na versão Reimagined foi reformulado para que uma história tão rica possa ser vivenciada sem que você sinta o tempo passar. A busca pelas placas foi levemente simplificada, mas segue relacionada a momentos e missões importantes. Caso você esteja tendo alguma dificuldade em encontrar uma placa específica, um novo menu mostra dicas de localização, desde que elas já possam ser obtidas naquele ponto da jornada.

Grinding e Vocações

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

Não dá para falar de ritmo em um JRPG sem citar o temido grinding. Mas em Dragon Quest VII Reimagined, não há com o que se preocupar. Diferente das versões anteriores, o grinding aqui é leve e customizável. O motivo? Não apenas a dificuldade, mas diversos aspectos do jogo podem ser alterados a qualquer momento: dano recebido, dano causado, XP, progresso de vocação, ouro e até o HP pós-batalha. Isso satisfaz desde quem busca o desafio clássico da série até quem deseja apenas desfrutar da narrativa sem apuros.

Mas afinal, o que são essas “vocações”? São as classes dos personagens. Cada protagonista começa com uma vocação única e, a partir de certo ponto, pode mudar de classe para se especializar. A progressão de nível da vocação é separada da XP individual e é ela que ensina novos golpes. Agora, o sistema está muito mais intuitivo, com uma barra de progresso que mostra o quão perto você está de uma nova habilidade.

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Na versão Reimagined, as habilidades de cada vocação são exclusivas. Ou seja, ao mudar de classe, o personagem perde o acesso ao que aprendeu antes. É aí que entra a nova mecânica chamada Moonlighting: cada personagem pode ter uma vocação principal enquanto mantém as habilidades de uma secundária. Isso traz possibilidades incríveis de builds, permitindo combater do jeito que você achar mais divertido.

Como se não bastasse, agora cada vocação possui uma “Ultimate” poderosa, que se carrega aleatoriamente durante as batalhas e pode mudar o rumo do confronto. Com essas adições, fica claro que entender a função de cada personagem é essencial para aproveitar ao máximo a sua party, adicionando ainda mais personalidade aos protagonistas.

Arte

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

Talvez este seja o elemento mais impactante assim que você abre o game. Em Dragon Quest VII Reimagined, vemos um uso sublime de dioramas. A direção de arte está inquestionável: desde o visual de tirar o fôlego até a trilha sonora arrepiante. Todos os efeitos e partículas estão insanos, e as animações estão tão suaves que, ao vê-las em combate, transmitem uma sensação única, especialmente para os jogadores de longa data da série.

É bastante perceptível que o que estamos jogando é um diorama, e está explícito que o game quer, de fato, que você sinta isso. Essa escolha combina perfeitamente com a proposta, resultando em uma identidade visual que não se vê todo dia.

Acompanhando a qualidade gráfica, a dublagem está incrível e trouxe muito mais personalidade e carisma aos personagens, tanto na versão em inglês quanto na japonesa. Os diálogos estão bem escritos e os NPCs despertam o interesse do jogador, principalmente quando somados ao fato de que cada ilha possui uma cultura e até mesmo um idioma próprio. Essa mesma criatividade está presente na identidade de todas as regiões, proporcionando uma experiência única a cada descoberta.

Conclusão

[Review] Dragon Quest VII Reimagined

Dragon Quest VII Reimagined foi um acerto em cheio. O título conseguiu entregar de maneira impecável tudo aquilo que o seu projeto prometia: a mesma aventura lendária, mas com um visual estonteante em estilo diorama e o ritmo de gameplay ideal para que ela seja devidamente aproveitada.

A narrativa é linda e o universo é riquíssimo. As mudanças e novas adições foram muito bem-vindas e não vieram apenas para somar, mas também para indicar um possível novo trajeto no qual os JRPGs modernos podem se inspirar. As batalhas estão empolgantes e o novo sistema de vocações adiciona uma camada estratégica profunda aos confrontos.

É como se os únicos “pesos” que esse game carregava tivessem sido removidos. O jogo é fortemente recomendado tanto para aqueles que já jogaram o título no passado quanto (e principalmente!) para quem ainda não conhece essa obra-prima. Dragon Quest VII acaba de adquirir não somente uma identidade própria, mas também o posto de referência dentro do gênero.

[Review] Dragon Quest VII Reimagined
Dragon Quest VII Reimagined
Veredito
Dragon Quest VII Reimagined é um acerto em cheio. O game entrega com maestria tudo o que seu projeto prometia: a mesma aventura lendária, agora com um visual estonteante em estilo diorama e um ritmo de gameplay muito mais bem ajustado. A narrativa continua linda, o universo riquíssimo, e as mudanças, especialmente nas batalhas e no ritmo da gameplay, não apenas enriquecem a experiência, como apontam caminhos interessantes para o futuro dos JRPGs. É um título que se livrou de antigos “pesos” e se consolidou como referência no gênero, sendo fortemente recomendado tanto para veteranos quanto, principalmente, para quem ainda não conhece essa obra-prima.
Design
100
Trilha Sonora
100
Diversão
90
Gameplay
90
Custo x Benefício
70
Prós
Ritmo excelente.
História e universo incríveis.
Gráficos e trilha sonora lindos.
Gameplay fluida.
Ótimo para novatos.
Contras
Não disponível em português.
Começo lento.
90
Nota Final
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Dragon Quest VII Reimagined is a resounding success. The game masterfully delivers everything its project set out to achieve: the same legendary adventure, now presented with a stunning diorama-style visual and a much better-paced gameplay experience. The narrative remains beautiful, the universe incredibly rich, and the changes — especially to combat and overall pacing — not only enhance the experience but also point toward exciting directions for the future of JRPGs. It’s a title that has shed its old “burdens” and established itself as a benchmark for the genre, highly recommended for both long-time fans and, especially, for those experiencing this masterpiece for the first time.

[Nota do Editor: Dragon Quest VII Reimagined foi analisado com uma versão do Nintendo Switch 2. Uma chave do jogo foi gentilmente cedida pela Square Enix para avaliação.]


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Apaixonado pela Nintendo, decidi colocar em palavras algumas das minhas aventuras em mundos com espadas, dados, magia, cartas, e de tudo um pouco. Já venci alguns torneios de Mario Kart por aí e acabei sendo o campeão brasileiro de Mario Strikers uma vez.