O ser antissocial e games

O ser antissocial e games

Ou como eu detesto jogos multiplayer online

Ou como eu detesto jogos multiplayer online

Eu sou a epítome do paradoxo. Sou professor, lido com pessoas há mais de vinte anos, adoro o que faço. Ao mesmo tempo, não sou muito afeito às interações sociais. Hoje em dia não sou muito de sair à noite (ainda mais nessa situação de pandemia), gosto muito de ficar em casa e, o pior de tudo, detesto jogos multiplayer online. Ainda mais quando são aqueles, como Among Us, que você tem que interagir com outras pessoas por voz. Não gosto de interagir com outras pessoas quando jogo um game.

Porém, ao invés de falar mal desses jogos, já que eu não tenho nada contra jogos multiplayer, é apenas o meu gosto, vou apreciar os jogos que não precisam de interação com ninguém da nossa realidade física (gosto de interagir com NPCs, vá entender!). Sim, meus amigos, vou escrever sobre os lindos jogos single player que amo tanto!

Não há nada melhor neste planeta do que estar sozinho em seu mundo. Muita gente pode não concordar, mas este é o momento em que eu coloco a minha cabeça no lugar, reflito sobre tudo e mais um pouco e, por que não, crio. Estes momentos em que não interagimos com ninguém, momentos que estamos no nosso mundo, na nossa cabeça, são importantíssimos para todas as pessoas. São momentos que deveriam ser mais apreciados por todos. São momentos de descoberta, de aceitação e exploração de nós mesmos. Para mim, são momentos que eu prefiro ler ou jogar video game. E os jogos single player são um bálsamo neste momento. Como não poderia deixar de ser, adoro os jogos single player da Nintendo, como Super Mario Odyssey, Hyrule Warriors: Age of Calamity e tantos outros que a Big N produz com maestria. Porém, para o texto não ficar grande demais e cansar o meu prezado leitor, focarei em dois que são, para mim, “o puro suco” de jogos single player: Luigi’s Mansion 3 e The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

O ser antissocial e games

Luigi’s Mansion 3, apesar de ter um modo multiplayer (já sabem que eu nunca joguei este modo), tem uma campanha single player maravilhosa. Mas vocês já sabem disso. O que REALMENTE me agrada neste jogo é que o nosso herói Luigi (o melhor dos irmãos, diga-se de passagem) está sozinho em um hotel à procura de seus amigos. Estar sozinho em um hotel é a melhor sacada da Nintendo para este jogo. Acompanho os seus medos, as suas alegrias, as suas pequenas interações com os outros personagens, mas essencialmente ele está sozinho. E isso me alegra muito, porque enquanto o acompanho, consigo pensar também na melhor estratégia e até consigo tempo para mim mesmo. Tempo para pensar na minha rotina, pensar em leviandades, ME ESCUTAR. E isso não tem preço.

O ser antissocial e games

The Legend of Zelda: Breath of the Wild já é um assunto muito mais caro para mim. Este é o jogo que mostra o que é isolamento e solidão de verdade. Como essencialmente Link não fala, são pouquíssimas as interações que ele tem com outros personagens. O jogo em si representa muito o que é estar sozinho. E isso tem ressonância em mim. Os momentos de silêncio, de exploração, de contemplação. Momentos de descoberta, de tentativa e erro. Estes são aspectos extremamente importantes para nós todos. Deveríamos respeitar mais o silêncio e nos ouvir mais. Quem sabe não se descobre algo importante a nosso respeito?

Podem me chamar de antissocial. Não sou muito de interagir com o mundo. Mas ainda assim gosto de interagir com as pessoas, afinal vivemos em sociedade e não podemos estar alheios a isso. Tudo é equilíbrio. Por mais jogos single player na nossa vida!


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Nintendista e professor. Mesmo shape do Mario, almejando o shape do Luigi.