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The Legend of Zelda: Link’s Awakening – Onde a simplicidade encontra a beleza

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Em 13 de fevereiro de 2019, no fim de uma Nintendo Direct, foi anunciado o remake do primeiro jogo The Legend of Zelda para portáteis, o Link’s Awakening. Lançado em 1993, para o Game Boy, o jogo foi um sucesso e trouxe muitas novidades que acabaram caindo na graça da franquia nos jogos seguintes.

A série Zelda já tinha feito antes um remaster do próprio Link’s Awakening, que saiu em cores no Game Boy Color, em 1998. A franquia também fez os remakes do The Legend of Zelda: Ocarina of Time e do The Legend of Zelda: Majora’s Mask, ambos para o 3DS. Assim como também criou uma versão HD para o The Legend of Zelda: Wind Waker e The Legend of Zelda: Twilight Princess, os dois para o Wii U. Porém, nunca vimos uma revolução tão grande como nessa versão recente do Link’s Awakening.

The Legend of Zelda: Link's Awakening - Onde a simplicidade encontra a beleza
As versões antigas do Link’s Awakening comparadas ao remake

A Ilha Koholint

A Ilha Koholint

A aventura começa com nosso heroi hyliano navegando em uma pequena embarcação em meio a uma forte tempestade. Um raio atinge a vela, um clarão se forma e tudo o que sabemos é que o Link está desacordado numa praia de uma ilha misteriosa, Koholint.

Felizmente, uma jovem chamada Marin, acha Link e leva-o para sua casa, onde, finalmente, o nosso aventureiro acorda. Recuperando seu escudo e indo atrás de sua espada perdida na praia, Link encontra uma misteriosa coruja. Ela lhe diz que, para sair da ilha, ele tem que recuperar os 8 instrumentos das sereias e acordar o Peixe dos Ventos (Que é uma baleia!), um ser mágico que está em sono profundo.

Link então começa sua jornada pela Ilha Koholint e durante o processo, ele ganhará vários itens e poderes que o ajudarão na conclusão de sua tarefa, o básico de todo jogo Zelda.

Posso dizer com certa tranquilidade que a Ilha Koholint é o personagem principal do jogo. Koholint tem um ar especial, é uma mistura de elementos que já vimos antes na franquia, como também de vários outros elementos trazidos de outros lugares. Os diálogos vividos, os seus personagens e criaturas, seus locais, suas paisagens, suas dungeons, a Ilha Koholint foi e continua sendo um lugar especial para os amantes da franquia Zelda. A ilha é um mix de humor, beleza, alegria, estranheza e tragédia, tudo na dose certa.

Jogabilidade

O Link’s Awakening segue o padrão dos jogos antigos da série Zelda, como a visão de cima e a utilização de certos itens para passar de dungeons e chefes. De maiores diferenças, temos o item que faz o Link pular, Roc’s Feather, e também a visão lateral, side scrolling, que o jogo toma em algumas partes.

Os inimigos do jogo, em sua maioria, tem um padrão para derrotar. Como usar o escudo para abrir a guarda dos Moblins, entre vários outros que não entrarei em detalhes para não atrapalhar a experiência de quem nunca jogou.

Os chefes das dungeons são legais, apesar de não serem nada excepcionais. Alguns são mais marcantes, outros meio esquecíveis, mas, no geral, são bons chefes. O que não quer dizer que sejam difíceis, pelo contrário, são extremamente fáceis, até mesmo para o jogo original de 1993.

Aliás, essa falta de dificuldade é uma constante, o jogo é fácil no geral. Nas dungeons, há estátuas de coruja que dão dicas do que fazer. E as facilitações do jogo não se limitam apenas às dicas das estátuas, pois também temos o Sr. Ulrira, que dará dicas através de telefones espalhados por toda a ilha. Fora isso, temos as sugestões da coruja e, como novidade, uma tela com palavras chaves dizendo o que procurar para ir ao próximo objetivo.

Tirando a parte gráfica e sonora, a maior melhoria do jogo é na configuração de botões totalmente adaptada à jogabilidade dos consoles atuais. Convenhamos, ter que trocar de item a cada minuto devido à limitação de 2 botões do Game Boy era um saco. Isso foi ajustado e está muito melhor, a troca de itens é muito menos requisitada. Além disso, também tivemos a possibilidade do Link atacar em 8 direções, diferente da versão anterior que permitia apenas 4.

Novidades

O próprio Link’s Awakening antigo já foi uma revolução para a franquia, trazendo algumas novidades e reutilizando mecânicas do Zelda II: The Adventure of Link, como a visão lateral, side-scrolling, e o pulo.

Entre as novidades importantes, podemos destacar o uso de NPCs como elementos chaves para passar de determinadas partes do jogo, a utilização da troca de itens, sidequests como a das conchas escondidas e também mini-games como o de pescaria. Também não podemos esquecer que foi no Link’s Awakening que a Ocarina ganhou vida e se tornou peça chave de toda a série.

Porém, a versão remake também trouxe novidades em relação à versão original, apesar de serem poucas. As principais coisas novas, além da própria atualização da jogabilidade que falei antes, é a possibilidade de marcar lugares no mapa e, a mais falada, o Dungeon Builder, um “Mario Maker de dungeons”.

Bem, particularmente, não gostei muito de fazer dungeons, mas não posso negar que é uma ideia válida para aumentar as suas horas no jogo. Talvez a Nintendo pudesse trabalhar melhor esse builder e liberar o compartilhamento online, principal limitação para fazer esse modo um sucesso, na minha opinião.

Outra novidade que vale dar uma pequena pincelada é a dos bonecos dos personagens da franquia Mario ficarem disponíveis no mini-game de pegar itens com o gancho. Há várias criaturas dos jogos do nosso encanador favorito e, também, cada uma tem um lugar onde deve ser posto. Uma simples, porém excelente novidade.

Arte e Música

The Legend of Zelda: Link's Awakening - Onde a simplicidade encontra a beleza

Como seria controlar um diorama? Se você já fez essa pergunta, digo-lhe que a resposta é The Legend of Zelda: Link’s Awakening. A arte do jogo está fenomenal, atemporal, magistral.

A Nintendo e a Grezzo conseguiram tornar isso realidade e o resultado não poderia ser melhor, artisticamente falando, claro. Você para de jogar a todo momento admirando o cenário, os personagens, as criaturas, tudo. Parece que todos os elementos do cenários são bonecos de verdade. A criação desse novo modelo visual deve dar vida ao jogo por muitos anos, assim como a franquia fez em Wind Waker.

A inspiração para o visual, com toda a certeza, são as artes das fotografias do Link’s Awakening DX, de Game Boy Color. Infelizmente, essa excelente sidequest e novidade da versão Deluxe deu lugar ao Dungeon Builder no novo jogo.

Foto do Link em uma das fotografias da versão Deluxe

Falar de Zelda sem comentar sua trilha sonora talvez seja um dos maiores pecados do mundo dos games. E, sim, a trilha da nova versão de Link’s Awakening está para lá de boa. Ela foi totalmente rearranjada, dando adeus às limitações da versão de Game Boy. Agora temos instrumentos ao vivo, eletrônicos e também sintetizados, deixando a parte sonora um espetáculo.

A música da tela inicial, o overworld e, claro, a “Ballad of the Wind Fish” são de uma qualidade extraordinária. O jogo realmente brilha aqui.

Um show de referências

The Legend of Zelda: Link's Awakening - Onde a simplicidade encontra a beleza
O Link ganha um boneco do Yoshi

Há tantas referências no jogo que fica quase impossível falar de todas. Porém temos criaturas dos jogos do Mario, temos referências a Kirby, easter eggs do próprio encanador bigodudo em pessoa, entre várias outras.

O remake deixou ainda melhor tudo isso, colocando easter eggs de mais franquias ainda, como Splatoon e Animal Crossing.

O que está ruim

Nem tudo são flores para Link’s Awakening. É inegável que o jogo melhorou muito em termos de jogabilidade, de áudio e, principalmente, na parte gráfica. Mas ele tem vários pontos que deixam a desejar.

Começamos pela queda de frames, algo frequente durante todo o jogo. Atrapalha um pouco e, algumas vezes, chega a incomodar. Não é algo que deixa injogável, longe disso, mas tem que ser dito, porque um jogo tão simples e que custa $60.00 não pode ter um desempenho tão abaixo em relação a outros títulos da própria Nintendo.

Aliás, o jogo custar $60.00 é um ponto bem discutível. A própria Grezzo fez os remakes de Ocarina of Time e Majora’s Mask e a Nintendo os vendeu pelo preço de jogo portátil, $40.00, e estamos falando de dois jogos com muito mais tempo de jogo e que são originais de um console de mesa, o Nintendo 64. O outro jogo da franquia no Switch é o Breath of the Wild e é até injusto compará-lo ao Link’s Awakening devido a discrepância de conteúdo e tempo de jogo, apesar de ambos custarem mesmo valor.

O valor de um jogo é algo bem relativo, não é algo que devemos discutir apenas pelo tempo jogado ou conteúdo. Porém, o Link’s Awakening é um jogo original de Game Boy e não teve nenhuma mudança no conteúdo bruto do jogo. Ele continua sendo o mesmo game, apenas com um visual e jogabilidade repaginados, o que, na minha opinião, não justifica cobrar o preço cheio.

Como falado anteriormente, o tempo do jogo é curto. Dá para acabá-lo em poucas horas, mesmo sem nunca tê-lo jogado antes. Continua sendo um bom tempo para o antigo Game Boy, mas não para um jogo de Nintendo Switch.

Conclusão

The Legend of Zelda: Link’s Awakening é um lindo jogo, tem uma jogabilidade muito amigável, apesar da dificuldade ser baixa. Seu problema de fps atrapalha, mas não é um fator fundamental para não pegar o jogo. Esse fator, pra mim, é o preço, que é bem alto para um remake de um game portátil e que tem poucas horas de jogo.

Mesmo assim, eu indico o Link’s Awakening para qualquer um que tenha condições financeiras de comprá-lo, pois a Ilha Koholint tem que ser desfrutada, tem que ser vivida. Do começo ao fim, ela te encanta e deixa saudades. O enredo do game é maravilhoso, uma história que mistura humor e tragédia em doses certeiras. Acabamos o jogo até pensativos com nossa aventura. É algo muito filosófico acabar tudo e relembrar do começo e de todos os momentos que passamos para chegar até ali, assim como o desenrolar do final.

84%
Bom!

The Legend of Zelda: Link's Awakening é um jogo com muitas qualidades, alguns defeitos e um preço bem alto para o que é oferecido.

  • Design
  • Jogabilidade
  • Trilha Sonora
  • Diversão
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