[Review] Animal Crossing: New Horizons - Nintendo Switch 2 Edition

[Review] Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition

A experiência mais completa de Animal Crossing de todos os tempos

Animal Crossing é uma das minhas franquias favoritas. Tenho centenas de horas investidas em Animal Crossing: New Horizons, e não é exagero dizer que o jogo fez parte da minha rotina por anos. Esse vínculo ficou ainda mais forte durante a pandemia, quando o mundo desacelerou e os encontros presenciais deixaram de existir. Em um período em que o contato humano era limitado a telas, New Horizons virou ponto de encontro, sala de estar, festa de aniversário e até terapia. Grande parte das nossas interações sociais se deram através de ilhas virtuais, e Animal Crossing cumpriu um papel que poucos jogos conseguiram: oferecer conforto, constância e um senso de comunidade.

Ver a franquia crescer ao longo dos anos, especialmente no Nintendo Switch, onde se consolidou como um dos maiores sucessos da Nintendo, torna esse “retorno” em 2026 ainda mais significativo. New Horizons acompanhou fases importantes da vida de muita gente e, até hoje, basta abrir a lista de amigos do console para ver que sempre há alguém jogando com centenas e milhares de horas acumuladas.

Versão para o Nintendo Switch 2

Lançado originalmente em 2020, Animal Crossing: New Horizons chega a 2026 com quase seis anos de estrada e, surpreendentemente, ainda encontra espaço para evoluir. A versão dedicada ao Nintendo Switch 2 não tenta reinventar o jogo, mas sim refinar tudo aquilo que já funcionava, entregando a experiência mais completa e confortável possível até agora.

Os aprimoramentos técnicos são perceptíveis. O jogo roda em resolução 4K, com imagens mais limpas, melhor definição de texturas, dando uma suavidade para os serrilhados que eram bem perceptíveis sobretudo quando jogado na tela grande. O multiplayer também recebeu melhorias. As ilhas agora comportam até 12 jogadores simultâneos. Visitas ficam mais caóticas, mais engraçadas e, mais próximas da ideia de convivência comunitária que sempre esteve no DNA da série.

O novo modo mouse é outra adição que faz mais diferença do que parece à primeira vista. Construir, organizar móveis e personalizar a ilha se tornam processos muito mais ágeis e precisos. Completei praticamente todo o meu hotel usando apenas o modo mouse para decorar os quartos, e posso afirmar com tranquilidade que se trata de uma adição extremamente bem-vinda.

Já o megafone, que prometia ser uma forma divertida de utilizar o microfone do Switch 2 para chamar villagers e visitantes da ilha, ainda precisa de refinamento. Entendo que o reconhecimento de voz funcione em inglês (meu jogo está em inglês) e que questões de localização possam influenciar, assim como o meu próprio sotaque latino, mas a experiência acaba soando estranha. Em mais de uma ocasião, chamei por Ketchup e quem atendeu foi o Benjamin, o que quebra um pouco a imersão e gera mais confusão do que praticidade. A ideia é boa, mas, não acho que funcionou bem para mim.

Se a versão de Nintendo Switch 2 representa o refinamento técnico, a atualização 3.0, disponível também para o Nintendo Switch original, é onde Animal Crossing: New Horizons realmente ganha novo fôlego. Mais do que ajustes pontuais, ela adiciona muito conteúdo, trazendo de volta jogadores que já haviam abandonado suas ilhas.

Resort Hotel: o coração da atualização 3.0

A grande estrela da atualização 3.0 é o Hotel, uma construção que vai muito além de uma simples construção nova no final do píer da sua ilha. Comandado pela família de Kapp’n, o hotel te coloca no papel de designer-chefe de suítes temáticas, usando sistemas de decoração similares ao da DLC Happy Home Paradise, mas diretamente da sua ilha. Cada quarto concluído te recompensa com Hotel Tickets, uma moeda exclusiva que pode ser trocada por itens e roupas que só podem ser obtidas ali.

Além disso, o hotel influencia diretamente a sua ilha: turistas aparecem passeando por lá, visitantes ficam mais presentes e tornam sua ilha mais viva, com turistas passeando por todos os espaços. A própria mecânica de ganhar tickets, seja decorando quartos ou cumprindo pedidos de itens DIY pelo hotel, adiciona uma camada nova de propósito, abraçando principalmente os jogadores que já haviam “concluído” suas ilhas.

Outras melhorias da atualização 3.0

Uma das adições mais surpreendentes da atualização 3.0 são as chamadas Slumber Islands, que funcionam como um modo criativo dentro de New Horizons. Diferente das ilhas dos sonhos antigas, que você podia visitar sozinho para inspiração, as Slumber Islands permitem que você e seus amigos entrem juntos em um ambiente separado da sua ilha principal para construir e decorar em conjunto, uma espécie de “co-op criativo”. Nessa área alternativa, todas as ferramentas de design ficam mais acessíveis e flexíveis, é possível ajustar terreno, colocar móveis sem custo, escolher layouts e trabalhar lado a lado com seus amigos.

A atualização 3.0 também trouxe parcerias temáticas com LEGO, The Legend of Zelda e Splatoon. Os objetos, roupas e itens decorativos inspirados nessas franquias se misturam ao enorme catálogo do jogo base. Vale ressaltar que os conteúdos de Zelda e Splatoon ficam restritos ao uso de amiibo compatíveis, o que limita o acesso, mas também deixa claro que se trata de conteúdo extra, não essencial. Essas colaborações vão além da estética com a inclusão de novos villagers vindos dos universos de Zelda e Splatoon. Para quem quiser se aprofundar, preparamos um guia explicando como obter esses novos villagers, que pode ser acessado clicando aqui.

A atualização também resgata um elemento nostálgico ao permitir obter consoles clássicos dentro do jogo. Quem é assinante do Nintendo Switch Online pode jogar títulos retrô do NES, SNES e Game Boy diretamente da própria ilha. É uma pena que o acesso aos jogos esteja atrelado à assinatura do Nintendo Switch Online, o que limita a experiência para parte do público, mas ainda assim é um extra que reforça o cuidado da atualização em agradar todos os jogadores.

No mais, a versão 3.0 não parece uma simples atualização tardia, mas quase uma segunda fase do jogo, pensada para agradecer a longevidade da comunidade que manteve New Horizons vivo por tantos anos.

Conclusão

No fim das contas, Animal Crossing: New Horizons em 2026 prova algo raro na indústria: mesmo depois de quase seis anos, ainda é um jogo capaz de evoluir de forma relevante. A versão para Nintendo Switch 2 entrega exatamente o que se espera dela, refinando a experiência com melhorias técnicas, multiplayer mais amplo e inclusão de ferramentas que usem dos recursos do novo console, como o uso do microfone e do modo mouse.

Para quem já possui o jogo base, a atualização para a versão de Nintendo Switch 2 custa R$ 29,99, enquanto novos jogadores podem adquirir o jogo completo por R$ 379,90. Considerando o conjunto de melhorias oferecidas, o valor adicional da atualização se justifica, especialmente para quem continua ativo ou vê neste relançamento um bom motivo para retornar à ilha.

Um dos grandes pontos positivos deste relançamento é a atualização 3.0, que além de ser totalmente gratuita, também está disponível para jogadores da versão base de Nintendo Switch também. É nela que o jogo realmente traz novas experiências, oferecendo novos conteúdos, atividades e motivos para voltar à ilha. O hotel, as Slumber Islands, as parcerias temáticas e os pequenos detalhes nostálgicos reforçam a sensação de que New Horizons entrou em uma nova fase, pensada não apenas para atrair novos jogadores, mas para respeitar e valorizar quem nunca deixou o jogo de lado.

O maior ponto negativo continua sendo a ausência de localização para o português, algo que já não deveria ser aceitável em um jogo desse porte e com uma base tão grande no Brasil. A falta de suporte ao nosso idioma não é apenas um detalhe, mas uma barreira real de acesso. Para muita gente, a dificuldade com inglês ou espanhol é suficiente para afastar completamente a experiência, seja por não compreender os diálogos, os menus ou tarefas. Em um jogo que se propõe a ser acolhedor, acessível e comunitário, essa ausência contrasta diretamente com a filosofia da própria franquia e segue como uma pendência difícil de ignorar.

Ainda assim, é difícil não reconhecer o cuidado por trás desse relançamento. Animal Crossing: New Horizons segue sendo um espaço de conforto, criatividade e convivência, agora mais completo do que nunca. Seja para quem nunca foi embora, seja para quem está pensando em voltar, 2026 se mostra um excelente momento para revisitar ou criar a sua ilha.

[Review] Animal Crossing: New Horizons - Nintendo Switch 2 Edition
Animal Crossing: New Horizons - Nintendo Switch 2 Edition
Veredito
Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition consolida anos de suporte em uma versão mais completa e bem resolvida do jogo. A combinação das melhorias técnicas do Switch 2 com a robusta atualização 3.0 cria uma experiência mais confortável, rica em conteúdo e cheia de novos conteúdos para jogadores veteranos. Sem alterar a essência que tornou a franquia tão especial, o relançamento oferece motivos reais para voltar à ilha e continuar construindo no próprio ritmo. Mesmo com a ausência de localização em português, trata-se de um retorno consistente e acolhedor, que reforça New Horizons como o melhor jogo de toda a franquia.
Design
100
Trilha Sonora
100
Diversão
100
Gameplay
100
Custo X Benefício
95
Prós
Atualização 3.0 gigante e gratuita
O Resort Hotel adiciona novo objetivo e nova vida pra ilha
Modo mouse facilita bem na decoração
Os gráficos que já eram de encher os olhos agora estão deslumbrantes
Parcerias com Zelda e Splatoon são um ótimo extra
Contras
Sem localização para o português
99
Nota Final
Gostou dessa review? Acesse também nossas outras análises

Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition consolidates years of support into the most complete and well-rounded version of the game to date. The combination of Switch 2 technical improvements with the robust 3.0 update results in a more comfortable experience, packed with content and offering meaningful additions for veteran players. Without losing the essence that made the franchise so special, this re-release provides real reasons to return to the island and keep building at your own pace. Even with the continued absence of Portuguese localization, it stands as a consistent and welcoming return, reinforcing New Horizons as the best entry in the entire franchise.

[Nota do Editor: Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition foi analisado com uma versão do Nintendo Switch 2. Uma chave do jogo foi gentilmente cedida pela Nintendo para avaliação.]


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Gamer mineiro apaixonado pela Nintendo desde criança. Fire Emblem: Three Houses e Pikmin 4 são seus jogos favoritos do Switch. Instagram: @pvgm91 X: @pvgm91 F.C: 6972-9848-6184