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Hades - Infernalmente encantador

Hades – Infernalmente encantador

Com alta dificuldade, Hades é um excelente desafio que preza pela tentativa, erro e aprendizado, sempre entregando ótimos diálogos e personagens cativantes no caminho.

Considerado um dos melhores jogos de 2020, desenvolvido e publicado pela Supergiant Games, Hades é um Roguelike de ação sobre Mitologia Grega, mais precisamente sobre Zagreu, filho de Hades, que deseja fugir do Submundo para descobrir sobre sua origem. A tarefa considerada impossível é dificultada pelo próprio pai, mas Zagreu deve continuar tentando, sempre tendo auxílio dos Deuses do Olimpo e outras figuras mais pitorescas da mitologia.

Hades - Infernalmente encantador

COMO FUNCIONA?

Para alguns, o funcionamento de Hades pode soar confuso pela falta de familiaridade com o gênero Roguelike. Para facilitar sua decisão sobre jogar ou não, irei logo de início explicar como ele funciona, independente se ele compartilha ou não essas similaridades com outros Roguelikes, caso já tenha jogado algum.

Em Hades, você deve escapar do Submundo, composto por 4 regiões e portanto 4 chefes ao final de cada região. Ao longo da tentativa de fuga, os Deuses do Olimpo e outros seres irão oferecer auxílio para a tarefa. Estes auxílios são poderes e/ou status para sua arma ou novas habilidades.

Hades - Infernalmente encantador

A aventura é dividida em salas, cada sala tem um número de inimigos, ao derrotar todos, você pode pegar sua recompensa, que pode ser a bênção de algum deus ou itens como moeda e etc. A sua recompensa é decidida no momento que você entra na sala. Geralmente ao fim de uma sala, você terá duas ou mais portas que no topo delas é mostrado qual será sua recompensa. Sendo assim, o jogo permite ao jogador escolher o que deseja receber, criando um sistema que depende de sorte e estratégia. Logo suas tentativas de fuga podem ser mais fáceis ou mais difíceis, dependendo de sua sorte e qual abordagem você irá trabalhar naquela tentativa.

Se você conseguir matar todos os 4 chefes, você completa a tentativa de fuga. Se morrer, você volta do início, não importa onde morra. 

O que você perde: todos os poderes, habilidades de armas e etc. O que você mantém: itens que permitem alterar o HUB do jogo e itens que permitem você melhorar e comprar novas habilidades permanentes para Zagreu. Tudo o que você compra no HUB do jogo(Casa de Hades) é permanente, e será de grande ajuda!

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A ideia é continuar tentando e juntando recursos que lhe garantirão melhoras permanentes em armas, habilidades e até alguns itens que permitirão que você “manipule” sua sorte.

A NARRATIVA

Aqui temos outro elemento que se mantém ao longo de suas tentativas: a história.

Zagreu é um dos melhores protagonistas que tive o prazer de conhecer. Ele é determinado, teimoso, mas possui um senso de justiça distinto. Em meio a egoísmos e traições de sua família, ele mantém sempre a boa vontade de ajudar todos. O jogo não cai na armadilha de criar o jovem herói que está sempre certo perante os mais velhos, pelo contrário, Zagreu demonstra bastante respeito pelos seus superiores, ainda que nutra mágoa pelo seu pai.

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Além de Zagreu, Hades está cheio de vários personagens secundários e todos eles interagem com você para revelar mais sobre aquele mundo ou sobre informações da história. Morrer faz parte da narrativa e o jogador, mesmo fracassando, é recompensado com novos diálogos e conteúdos relevantes. Este é sem dúvidas o maior trunfo de Hades. A recompensa de continuar tentando lhe garante diálogos muito bem escritos e perfeitamente dublados. O trabalho de voz do jogo é excepcional. 

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 Talvez você se pergunte: “o objetivo de Zagreu é escapar, então se eu escapar, finalizo o jogo?” Não, para o jogador ver os créditos do jogo, ele precisa escapar 10 vezes, e para evitar Spoilers, direi apenas que na sua primeira tentativa sucedida, você entenderá o motivo de precisar fazer tudo novamente mais 9 vezes. Depois do primeiro sucesso, os outros vêm com mais facilidade e podem durar em torno de 20 a 30 minutos.

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Depois dos créditos, ainda tem muito a ser feito, e o jogo insiste nisso, com horas a mais de conteúdo novo e de qualidade. Cabe ao jogador decidir se pretende ou não fazer as atividades extras para liberar itens opcionais ou mesmo mais informações sobre a história. 

TRILHA E DESIGN

A trilha sonora é excelente e totalmente inspirada em cantos épicos. Ela eventualmente se integra ao jogo com um personagem bastante interessante que possui sua própria história para o jogador descobrir. É possível desbloquear as músicas do jogo para depois tocá-las quando você quiser na Casa de Hades.

Outro destaque é o design artístico: apesar do tom sombrio do Submundo, é tudo muito bem desenhado nos mínimos detalhes. O design de personagens é de cair o queixo, todos os deuses são marcantes e toda vez que pipocam na tela, você consegue apreciar os detalhes das roupas, fisionomia e etc. A harmonia entre dublagem e a imagem dos personagens é perfeita, mesmo que essas imagens sejam estáticas. Com tantas linhas de diálogos, que não se repetiram nenhuma vez em toda minha jogatina, é impressionante o trabalho da dublagem. É bom lembrar que o áudio do jogo está em inglês, mas textos e legendas estão em Português do Brasil. Cabe destacar também que um dos únicos pontos negativos do jogo ocorre no modo portátil do Switch, como a tela é muito menor, textos do compêndio são minúsculos e dificultam muito a leitura. Pelo menos nos diálogos o texto é um pouco maior.

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JOGABILIDADE

Um dos maiores trunfos de Hades, a jogabilidade é de fácil entendimento em com pouquíssimos botões, e não deixa de possuir várias possibilidades de construção de estratégia. São 6 armas à disposição de Zagreu, que inclui espada, lança, escudo e outras mais para desbloquear. Cada uma delas funciona de um jeito totalmente diferente e essas diferenças são potencializadas com as bênçãos dos deuses. Exemplo: o ataque especial do Escudo do Caos é lançar o escudo à la Capitão América. O escudo ricocheteia em vários inimigos, e se você tiver a bênção de envenenamento de Dionísio no escudo, todos os inimigos atingidos sofrerão o efeito da sua bênção, potencializando e agilizando suas técnicas de batalha. Sua esquiva, por exemplo, pode ser abençoada por Atena e refletir ataques, além de defender Zagreu. Ou então você pode receber a bênção de Zeus e dar dano de trovão a cada esquiva.

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As possibilidades são variadas ao extremo, existindo até mesmo a possibilidade que dois deuses decidam lhe conceder uma bênção conjunta, que combina dois golpes em um e assim por diante.

Ainda é possível receber presentes dos Deuses: itens permanentes que ficam no seu armário e podem ser escolhidos antes de uma tentativa de fuga ou após um chefe e certamente lhe ajudarão nas mais variadas situações. 

O jogo possui uma dificuldade elevada a princípio, visto que seu objetivo é a repetição  e aprendizado, mas quando o jogador passa a entender qual a melhor estratégia para ele, a dificuldade balanceia bastante, se tornando uma ótima diversão com poucos momentos de frustração. 

Hades - Infernalmente encantador

CONCLUSÃO 

Hades é um dos jogos mais diversificados dos últimos anos na indústria. É criativo, difícil, mas bastante amigável para iniciantes no gênero. É um jogo que acerta em tudo, mas seu destaque maior vai para sua capacidade de contar uma boa história com ótimos personagens. Seu tempo de jogo depende do jogador, mas ele possui bastante conteúdo antes e depois dos créditos, com relatos de jogadores com mais de 100 horas de jogo, tendo portanto um alto custo-benefício para aqueles que desejarem se aventurar a fundo nesta deliciosa e infernal mitologia.

Hades
10 / 10 Nota Final
Prós
- Jogabilidade variada e desafiadora
- Legendado em Português(Brasil)
- Ótimos personagens
- Direção de arte impecável
- Trabalho de som e voz excepcional
Contras
- Alguns textos difíceis de ler no modo portátil
Design
Trilha Sonora
Diversão
Gameplay
Custo x Benefício

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Júlio Santos
Apaixonado por obras audiovisuais, mas com um espaço especial no coração para videogames. Aficionado por boas narrativas, gosta de estudar e escrever roteiros, além de análises diversas. Twitter: @JlioHeitorSant1