Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Não é bem um Breath of the Wild, mas dá pro gasto

Não é bem um Breath of the Wild, mas dá pro gasto

Uma pequena discussão de como alguns games podem se transformar nos próprios gêneros que os definem
Uma pequena discussão de como alguns games podem se transformar nos próprios gêneros que os definem

Já parou pra pensar que o mundo dos games é um a pequena metáfora das nossas vidas? Que estamos reproduzindo nos jogos comportamentos, tendências, gostos que temos no “mundo real”? Assim como temos no marketing um conceito de que o nome de um produto substitui, no imaginário coletivo, o tipo de produto que ele é (palha de aço, geladeira…), no mundo dos games também usamos nomes de games para identificar o seu gênero (quem nunca ouviu falar em gênero Souls-like?).

Ultimamente observei que criamos, assim como quem não quer nada, um novo gênero de jogo. O gênero Breath-of-the-Wild-like. Sim, amigos, o mais recente jogo do nosso herói silencioso, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, abriu as portas para um novo mundo (piada intencional) de games neste estilo. Immortals Fenyx Rising, Pokémon Legends Arceus e alguns outros são alguns exemplos deste novíssimo gênero. E o quê o caracteriza? Mundo aberto, pouco direcionamento do que fazer ou para onde ir, poucas informações do que está acontecendo à sua volta, liberdade para explorar o imenso mapa do jeito que você quiser, múltiplas maneiras de resolver os puzzles do jogo. Acho que esta fórmula é conhecida de muitas pessoas.

Não é bem um Breath of the Wild, mas dá pro gasto
Voar livremente por aí é muito satisfatório!

O que eu gostaria de refletir aqui neste texto é como estes jogos se transformaram em vanguarda. O mercado está cheio de jogos desses gêneros: rogue-like, como Diablo, Souls-like, como Dark Souls, battle royalle, como Fortnite. Estes são hoje os principais gêneros consumidos pelo mercado. Citei somente alguns exemplos, mas há inúmeros títulos de cada gênero no mercado. Logicamente sabemos que existe uma razão mercadológica por trás disso, afinal as empresas querem ganhar com estes jogos. Essa não é a questão. A questão que quero propor é refletir um pouco sobre como estes jogos se transformaram em seus próprios gêneros. Aconteceu exatamente isso com Breath of the Wild. Quando este jogo foi lançado em 2017, não havia nada parecido no mercado. Estamos em 2021 e já temos muitos jogos inspirados nele. E o que mais me espanta é que estamos falando em uma janela de 4 anos.

Estes jogos de vanguarda, como Breath of the Wild, Dark Souls e Diablo, são obras-primas do mundo dos games. São títulos que devem ser apreciados, jogados e respeitados, caso não goste de algum desses. São games que abriram as portas para uma nova maneira de se fazer games e, de tanto sucesso que têm até hoje, representam o próprio gênero que os definem. Não perguntamos mais por um jogo de RPG de ação, perguntamos por um jogo tipo Breath of the Wild; não compramos mais um jogo rogue-like, compramos um jogo tipo Diablo. Assim como nas nossas vidas não compramos palha de aço, compramos Bombril.

Não é bem um Breath of the Wild, mas dá pro gasto
Tente sobreviver às batalhas!

Uma outra questão bem interessante que gostaria de mencionar aqui é o quanto a demanda por algo também pode se transformar em gênero de game. Hoje temos muitas desenvolvedoras independentes (os estúdios indie, como gostamos de chamar) que criam jogos com características de jogos da era 16-bit. É uma febre hoje, principalmente porque a maior parte das pessoas que jogam e investem dinheiro em jogos hoje estão na faixa dos 40 anos. Ou seja, a geração que cresceu jogando Super Nintendo e Mega Drive. Somos (porque este que vos escreve está à beira dos 40) uma geração que está muito saudosa destes títulos que nos definiram como consumidores de video games. A Nintendo acaba sendo o melhor lugar para estes desenvolvedores independentes porque crescemos ao lado, pelo menos a maioria de nós, de um Super Nintendo. É natural que a maior biblioteca de jogos independentes com este estilo retrô esteja no Nintendo Switch.

Antoine Lavoisier, o pai da química moderna, tem uma citação muito famosa: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Podemos transportar esta afirmação com todas as letras para o mundo dos games. E isso é genial, já que em algum momento, alguém vai pegar uma ideia consolidada de tipo de jogo e transformar em algo muito maior e com um significado novo.


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]