Ei Nintendista! Já ouviu o último episódio do nosso podcast?
Quem tem medo do backlog?

Quem tem medo do backlog?

Backlog – conjunto de trabalhos e tarefas incompletas, itens pendentes, carentes de serem resolvidos.

Eis que janeiro já se foi. Não sei quanto a vocês, mas para mim parece que faz muitos anos desde que estávamos dando adeus ao famigerado 2020, ano do rato no calendário japonês.

Entramos no ano da vaca. Aqui no Japão vivemos um inverno perceptivelmente mais rigoroso do que o do ano anterior. A friaca aliada ao clima de distanciamento social inibe ainda mais as pessoas a saírem da casa, o que pode exigir de nós um verdadeiro teste de criatividade para que possamos passar nosso tempo de forma produtiva e com a dose certa de diversão.

Quem tem medo do backlog?
Não deixe a vaquinha ir pro brejo neste ano!

Conhecemos o estereótipo dos gamers como seres naturalmente introspectivos e craques na arte de driblar o tédio mesmo estando enclausurados no aconchego do lar. Mas nesta era de jogos multiplayer frenéticos, ficar em casa não representa necessariamente a obrigação de se divertir sozinho e dialogar apenas com NPCs. Uma boa conexão com a internet e assinatura de serviços de online gaming garantem a companhia remota em tempo real de parceiros de jogatina a partir de qualquer parte do mundo.

Apesar de todo o avanço das tecnologias que garantem ter com quem dividir a tela dos games, pessoalmente faço mais o gênero jogador casual jovem tiozão que nunca se adaptou bem ao mundo multiplayer. Eu vivi bem o início da ascensão das lan houses e seus FPS online. Em cada esquina do Rio de Janeiro havia uma loja com gente gritando freneticamente em busca do próximo headshot. Achei fora de série quando descobri o mapa “Favela”, que trouxe o Counter Strike mais para perto do jogador brasileiro. Caçar terroristas ao som de funk carioca foi uma experiência divertida. Mas todo aquele nível de competitividade e certa agressividade da comunidade que se formava de algum modo sempre me incomodou. Acho que já nasci com espírito de jovem tiozão, afeito a side-scrollers e RPGs. Mas registre-se que eu era fera no Super Star Soccer (rs).

Quem tem medo do backlog?
A chapa esquentava forte nas Lan houses…

Sendo assim, estou tentando fazer desse tempo de pandemia e enclausuramento um período para atacar o temível monstro do backlog. Na expectativa para o lançamento do Super Mario 3D World, finalmente tirei o atraso do Super Mario Bros U, completando o modo história em100%. Tomei vergonha na cara e concluí também o Hyrule Warriors Age of Calamity, que estava desde novembro parada na última parte do último capítulo, já que o plot enganador havia me causado revolta.

Recentemente iniciei o remake de um dos meus jogos preferidos de SNES: Secret of Mana. Nunca jogo nada no PC, e tinha medo de que minha máquina não rodasse o game bem, mas meu Surface Pro velho de guerra está aguentando o jogo de forma bem satisfatória. Numa recente longa viagem a trabalho, abri o bicho dentro do ônibus fretado, saquei meu 8-bit Do, emparelhei os Air Pods e segui amarradão estrada a dentro, em busca das Sementes de Mana. Diferente de quando joguei pela 1ª vez, há mais de 20 anos, agora estou redescobrindo a história no idioma original, e com a vantagem de ouvir as vozes dos personagens da Squaresoft que marcaram minha adolescência.

Seja no mundo dos games ou na vida real, quanto mais envelhecemos, mais o backlog segue inchando. Aquele livro que compramos e nunca abrimos, aquela série que gostamos mas paramos na metade da primeira temporada, um filme que parece interessantíssimo… Partindo até para coisas mais delicadas, como aquele telefona de desculpas que sempre adiamos, um WhatsApp para uma pessoa querida com quem não falamos há meses, a falta de coragem para chamar aquela pessoa para comer um sushi caprichado…

Concluir algum item da lista do backlog pessoal garante não apenas aquela sensação mágica de missão cumprida e alívio para alma. Também nos dá um boost motivacional para novos desafios, ajuda a nos reconectarmos com as coisas que são importantes para nós. Tudo aquilo que efetivamente nos move e consideramos algo merecedor de frações do nosso tempo e atenção.

Que tal passar a ter uma listinha de itens do backlog do seu backlog pessoal a serem cumpridos a cada mês? Concordo que seja uma guerra sem fim, mas cada batalha vencida renderá ótimas recompensas.


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]