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Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico

Chasm – Mais um Metroidvania, puro e nostálgico

O jogo traz mecânicas já consagradas de forma bem conservadora, porém tem refinamento em seu Art Design que é muito bonito, além da boa jogabilidade, desafios a altura e Level Design bem construído.

Chasm é o jogo feito para os fãs dos Metroidvanias clássicos. Apesar de conservador, traz algumas inovações e entrega uma boa experiência. É desafiador, com uma jogabilidade fluida e precisa, bela arte gráfica no estilo pixel art e um level design interessante, trazendo uma mecânica de progressão procedural. Desenvolvido pela Bit Kid , este jogo indie surgiu no Kickstarter e foi criado por uma equipe de apenas 6 pessoas. Chasm é gostoso de jogar, isso sem falar na nostalgia envolvida para aqueles gamers que se criaram com os clássicos, Metroid e principalmente Castlevania: Symphony of the Night.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem de divulgação Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.
Fonte: bitkidgames.com

A aventura do soldado solitário

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Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

Chasm tem um início tranquilo, nosso herói surge tirando um cochilo no topo de uma fortaleza ocupada pela guilda militar que fazemos parte. Logo que o jogo começa somos acordados por outro soldado que nos informa que devemos nos apresentarmos ao nosso comandante, que irá nos designar uma missão: Investigar o desaparecimento dos moradores de um vilarejo chamado Karthas.

Chegando ao vilarejo de Kartas e vasculharmos algumas das construções encontramos um senhor que se apresenta como o administrador da cidade.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

Ele nos conta que a mina, outrora muito produtiva, havia se tornado improdutiva com o passar dos anos. Porém em uma última tentativa de encontrar novos veios de ouro, os mineradores abriram uma passagem que, sem querer, libertou bestas sombrias das profundezas, fazendo os mineradores fugirem para a superfície.

Após isso ele próprio enviou uma carta ao posto avançado, pedindo que enviassem um Cavaleiro para investigar a situação da Mina. Mas antes que ajuda chegasse, durante uma dessas noites, criaturas das profundezas vieram até Karthas e saquearam a cidade e os moradores desapareceram.

Após esta conversa misteriosa, ele nos entrega a chave das Minas e pede que nós o ajudemos a encontrar os moradores. Agora só nos resta nos aventurarmos na mina para resgatar os moradores e desvendar o que ou quem está por trás de tudo isso.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

O recruta mais habilidoso de Karthas

Chasm, apesar de ser bastante conservador em muitas de suas mecânicas, não deixa de ser interessante. A jogabilidade lembra bastante Castlevania Symphony of the Night, desde a movimentação do herói, as animações dos ataques, até suas habilidades, incluindo até mesmo aquele movimento de esquiva para trás bem característico do Alucard. Outras mecânicas bem comuns em outros jogos deste estilo, que também encontramos aqui, são os save points ou neste caso save rooms e o backtraking que se mostra obrigatório.

Além das habilidades iniciais que são o pulo e a esquiva para trás, podemos adquirir novas habilidades através dos Artefatos, itens espalhados pelos mapas que liberam as habilidades extras, como de se agarrar em beiradas, saltar de paredes, deslizar, pulo duplo, entre outras. Porém estes itens são encontramos conforme avançamos no jogo, a evolução também irá depender de encontrar os Artefatos específicos que irão possibilitar nosso avanço em cada etapa do jogo.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

Nosso herói começa a aventura com nenhuma habilidade especial e apenas uma espada simples. Com o decorrer do jogo iremos encontrar diversos tipos de armas, armaduras, elmos de cabeça e acessórios escondidos em baús ou caindo dos monstros derrotados. Dentre as armas temos espadas curtas, espadas longas, adagas, chicotes, machados e lanças. Cada uma destas armas irá afetar na experiência e no modo de se jogar, pois cada uma vai ter seu tempo de ataque e distância de acerto, estas mecânicas são muito precisas e, conforme sua habilidade, determinarão a frequência que verá a tela de GAME OVER, que principalmente nos modos mais difíceis é bastante frequente.

Também teremos armas secundárias, que são as armas mágicas compradas com um dos personagens resgatados. Estas armas gastam os pontos de magia para serem utilizadas e podem ser aprimoradas serão extremamente úteis para nossa sobrevivência pois em sua maioria são para ataques a distância, variando no estilo e usabilidade.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

Além das armas encontraremos armaduras, acessórios e elmos de cabeça que além de aumentar nossa defesa, vida total e pontos de magia, podem acrescentar habilidades especiais. A exemplo temos o Sword Hat, que equipado irá invocar uma espada como companion, ela irá desferir golpes ocasionais e irá subir de level, aumentando a frequência de golpes assim como o seu dano.

Até agora todas estas mecânicas são bem comuns em outros jogos no estilo Metroidvânia. Porém o ponto que Chasm tenta se diferenciar é na geração procedural de seu mapa. O que é isso? Bom, Chasm traz para o universo Metroidvânia algo comum em roguelikes, cada inicio de jogo, os mapas serão gerados proceduralmente, tornando assim cada jogo “único”, pelo menos esta era a idéia dos criadores. Apesar da tentativa ser interessante, não é algo que realmente cause impacto na experiência, pois este jogo acaba sendo um pouco longo para concluir cada run, durando em torno de 13 horas de jogo.

A pacata Karthas e sua Mina sombria

A arte do jogo é impecável, um belo exemplo de plataforma 2D, trazendo ambientes muito bem detalhados em pixel art. Cada level ou dungeon traz um tema diferente, o primeiro sendo a Mina, e os seguintes as Catacumbas, Jardins, etc. Cada um deles trará novos desafios, novos monstros e enigmas a serem decifrados. Os chefes também seguem este formato, cada um estará ambientado no tema respectivo de sua dungeon, além de terem mecânicas próprias, de ataques e movimentação.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

O level design é muito bem feito, as salas trazem desafios que testam todas as habilidades do jogador, seja pulando em pequenas plataformas, se esquivando de espinhos, gás venenoso ou lutando contra os inimigos. Além disso a geração procedural das salas é muito bem feita, os mapas são bastante fluidos, apesar de volte e meia parecerem repetidos em alguns pontos, mas nada que incomode ou torne repetitiva a gameplay ou o Backtraking cansativo.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.
Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.
Fonte: bitkidgames.com

A trilha sonora é discreta mas muito boa, está muito bem ambientada em cada uma das dungeons, cada level tendo usa própria trilha. Consegue criar uma ambientação diferente para cada level.

Chasmvânia, o coração do guerreiro

Chasm é um brilhante em uma jóia repleta de pedras maiores e mais brilhantes. Acho que esta analogia resume bem meu sentimento em relação a este jogo. Claramente feito de fãs para outros fãs deste estilo consagrado e que vem em alta nos último anos.

Arte belíssima, mecânicas já consagradas e muito bem postas, level design desafiador porém a geração procedural, apesar de muito bem executada, deixa um pouco a desejar pois pouco acrescenta a experiência do jogo. Com boa variedade de inimigos e chefes, todos desafiadores, bem integrados e distribuídos pelo level design. Backtraking que se mantém desafiador e interessante graças também a complexidade e aos desafios do level design.

Chasm - Mais um Metroidvania, puro e nostálgico
Imagem retirada do jogo Chasm (2018) créditos Bit Kid, Inc.

Além disso a jogabilidade é excelente, fluida e precisa. A variedade de armas, habilidades e equipamentos junto com os desafios impostos pelo level design torna tudo muito interessante, complexo e desafiador. Exigindo agilidade, precisão e timing nos movimentos, ataques e esquivas do jogador.

A história de Chasm é um pouco superficial, pouco sabemos sobre nosso herói ou sobre os demais personagens que encontramos. Apesar disso é possível ver a evolução da história conforme evoluímos no jogo, acessamos as dungeons mais profundas e encontramos documentos com partes deste história até desvendarmos o mistério por trás do surgimento de todos estes monstros. Porém por não termos informações nem interações mais profundas com nosso herói, senti que muitas vezes nos desconectamos de tudo isso e o foco se torna apenas a exploração e busca por artefatos e equipamentos.

Chasm, apesar de ter algumas limitações, merece ser jogado e apreciado. É muito bem executado e fica claro que foi feito com muito cuidado e carinho por seus desenvolvedores. Lançado em 2018 após alguns anos de espera, chegou em meio a diversos outros Metroidvânias e acabou passando um pouco desapercebido mas tem seu mérito.

Chasm
8.3 / 10 Nota Final
Prós
- Boa dificuldade
- Art Design bonito e bem acabado
- Level Design criativo e desafiador
- Jogabilidade fluida e precisa
- Variedade de ambientações, inimigos e equipamentos
Contras
- História superficial
- Não inova
- Mecânicas comuns ao estilo
- Personagem pouco carismático
Resumo
Um Metroidvania que revive os clássicos, este Indie é um belo exemplar do estilo. Traz mecânicas já consagradas de forma bem conservadora, porém tem refinamento em seu Art Design que é muito bonito, além da boa jogabilidade, desafios a altura e Level Design bem construído. A história, o desenvolvimento dos personagens e o elemento de mapa procedural deixam um pouco a desejar, mas não atrapalham muito na experiência que é muito agradável.
Design
Trilha Sonora
Diversão
Gameplay
Custo x Benefício

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Vitor Ramos
Gamer desde 1991, apaixonado por Zelda, Metroidvanias, Dungeon Crawlers e RPG's clássicos, principalmente os Indies e se forem em pixel art. Arquiteto das 9:00 as 18:00 e cozinheiro amador nas horas vagas.