Top Racer Collection - Automobilismo e nostalgia com boa dose de novidades

Top Racer Collection – Automobilismo e nostalgia com boa dose de novidades

Recorrer ao clichê “carta de amor aos fãs” é pouco, muito pouco, para descrever Top Racer Collection. Lançado pela brasileiríssima QUByte e já disponível para Nintendo Switch, a coleção reúne três jogos em um: Top Racer, Top Racer 2 e Top Racer 3000, além de conteúdos novos e exclusivos. O pacote funciona como uma máquina do tempo aos que viveram a época de ouro dos 16 bits, ou como um mergulho no automobilismo, paixão nacional noventista, para quem não teve essa experiência no Super Nintendo, nos anos 1990.

Já é fato sabido de todos: Top Gear (ou Top Racer, para usar o nome japonês original, e que prevalece agora na coletânea, já que o outro nome pertence a um programa de televisão) é muito famoso, popular – e até endeusado – no Brasil.

Parte do fenômeno, não há como negar, vem da insuperável trilha sonora de Barry Leitch. Parte vem da qualidade do gameplay (que aprende muito com o antecessor Lotus Turbo Challenge) , e parte merece ser creditada à Ayrton Senna, que na época dos lançamentos originais, 1992, 1993 e 1995, respectivamente, já era tricampeão mundial de Fórmula 1, e motivo de um movimento quase religioso dos brasileiros, que aos domingos, paravam tudo para vê-lo correr.

Top Racer Collection - Automobilismo e nostalgia com boa dose de novidades
Top Racer, o primeiro jogo da franquia, ganhou versão com carros inéditos nesta coletânea – Foto: Reprodução

Tudo bem, a gente sabe. Top Racer não é um jogo com carro do tipo monoposto (aquele com as rodas grandes e aparentes), com o qual se compete na Fórmula 1. Mas a essência da corrida está ali, e a QUByte fez bem em não apenas preservar como evidenciar isso em toda a identidade visual deste pacote.

Afinal, em Top Racer, principalmente nos dois primeiros jogos, mais do que ser veloz, é preciso ter noções de automobilismo. É isso mesmo! A tecnologia do Super Nintendo parece bruxaria, pois permitiu criar um sistema que mescla arcade com simulação, com direito a pit stops e planejamento de paradas. 

Ao jogar qualquer uma das versões, inclusive a futurista e mais “RPGgística”, Top Racer 3000 é preciso, por exemplo, observar o traçado da pista para se antecipar à próxima curva e posicionar o carro da melhor forma para não bater nas laterais. 

Ou então, e ainda mais impressionante: muito do desafio consiste em ultrapassar veículos adversários. Isso quer dizer que você precisa observar e analisar a corrida o suficiente para decidir se vale mais a pena mergulhar por dentro ou ultrapassar por fora. E atenção aos retardatários, porque sim, se estiver em primeiro, você vai (re)encontrar os competidores mais lentos diversas vezes, enquanto abre voltas e mais voltas de vantagem sobre eles. Só que se não fizer a leitura correta e bater, bom… poderá ver o troféu de ouro se esvair na última curva, porque sempre tem alguém na sua cola.

Dito isso, esta análise não se debruça nos mínimos detalhes de cada um dos jogos (quem sabe eles não aparecem na coluna Project Retrô qualquer hora?), porque há muito a falar sobre o que foi feito em cima dos três (ou seriam quatro?) títulos, que aparecem com muito mais conteúdo do que tivessem simplesmente sido adicionados ao Nintendo Switch Online.

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Padronizados para os jogos, os novos menus são bonitos e fáceis de entender – Foto: Reprodução

Em Top Racer Collection o jogador não precisa se preocupar em entender o funcionamento dos menus de três jogos diferentes. Isso porque, em uma boa estratégia, a QUByte padronizou tudo, e todas as interações são feitas no sistema da coletânea. Funciona assim: ao abrir o jogo, logo após a tela de título há algumas opções: “Modo Arcade”, “Modo Online”, “Opções”, “Extras” e “Créditos”.

Para uma experiência singleplayer é só clicar em “Modo Arcade”, e então vem uma tela de seleção do jogo. Já dentro do título selecionado, as opções são padrão: “Campanha”, “Corrida Rápida”, “Contra-Relógio”, “Copa Personalizada”, “Opções” e “Manual”.

Ponto positivo, pois está aí tudo o que os jogadores precisam, desde a seleção de carros com status claros e visíveis, opção para seguir o modo carreira dos jogos por padrão, para disputar uma corrida em uma pista selecionada, para tentar marcar um recorde de volta rápida ou para montar um campeonato com quatro pistas. E merece destaque o fato de cada jogo contar com um manual digital, além dos manuais originais em japonês escaneados.

Já dentro das corridas, ao apertar o botão +, além das opções tradicionais de um menu de pausa, há outra adição muito bem vinda: o “save state”, que aqui aparece como “registro rápido”.

Novidades: modos inéditos, Top Racer Crossroads e mais

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Quatro novos carros estão à sua espera em Top Racer Crossroads – Foto: Reprodução

No Super Nintendo, além do já citado “registro rápido”, não havia o modo de jogo “contra-relógio”, não era possível montar uma copa própria e claro, não era possível jogar online, o que agora é uma realidade em todos os games. A experiência ainda conta com filtros para deixar a experiência mais nostálgica, com a cara das televisões CRT dos anos 1990. 

Ah, e é impossível não mencionar Top Racer Crossroads, versão inédita do primeiro jogo, mas que conta com novos carros, em um cliba com a vibe do Horizon Chase, da também brasileira (e hoje integrante do guarda-chuva da Epic Games) Aquiris. Tem o Alpha, inspirado em um Dodge Viper, o Firma, que é o carro mais rápido do mundo – Fiat Uno com escada no teto, o Carmin, que é conversível e brinca com o clássico veículo de Outrun, e o Twilight, que lembra uma Bugatti Veyron.

Com os novos carros, a experiência é completamente nova, e muito interessante. “Top Racer: Crossroad, um jogo exclusivo com 4 novos carros que referenciam veículos que são símbolos de outros grandes jogos de corrida e populares na cultura brasileira, assim como conteúdo exclusivo criado para essa edição imperdível!”

Conteúdo, muito conteúdo

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Escolha, jogue e se divirta! – Foto: Reprodução

Ao todo, são quatro jogos que reúnem 16 veículos e mais de 140 pistas para correr, seja offline contra o computador ou online, com os amigos. Traduzindo estes números em palavras, é conteúdo que não acaba mais. E a QUByte se preocupou em proporcionar experiências mesmo fora do jogo, já que a desenvolvedora preparou duas playlists para acompanhar a jogatina, com quase 700 músicas disponíveis no Spotify, o que ajuda a imersão de quem busca a máxima nostalgia.

A palavra-chave é carinho. É muito amor envolvido inclusive nos mínimos detalhes, como nos papéis de parede de muito bom gosto que acompanham a interface e preenchem a tela quando na proporção original de 4:3. E não precisamos dizer que o custo benefício é excelente, né? Tudo isso custa R$ 49,99 na eShop brasileira

Top Racer Collection - Automobilismo e nostalgia com boa dose de novidades
Top Racer Collection
Veredito
Design
100
Trilha Sonora
100
Diversão
100
Gameplay
100
Custo x Benefício
100
Prós
Coletânea completa: 4 jogos em 1
Nostalgia pura
Produto brasileiro, com interface 100% em português
Custo-benefício
Contras
Considerando que não era possível deixar os jogos em português, pois os títulos permanecem fiéis aos originais, não encontramos contras
100
Nota Final

[Nota do Editor: Top Racer Collection foi analisado a partir da sua versão para Nintendo Switch. A cópia do jogo foi gentilmente cedida pela QUByte Interactive para avaliação.]


[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]

Jornalista especializado em cultura e apaixonado por games desde que se entende por gente