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Kirby boxart japonesa

Kirby e Memória Afetiva

Você se lembra do primeiro jogo que zerou por conta própria?

Pois bem, eu inicio a coluna de hoje com essa pergunta porque me peguei lembrando hoje do momento que eu zerei Kirby’s Adventure, o primeiro jogo que fechei do início ao fim sem a ajuda de ninguém. E, nossa… Como é vívida essa memória para mim!

Eu ainda me lembro claramente da sensação das três batalhas consecutivas para trazer a Fonte dos Sonhos para a sua normalidade, após ela ter sido dominada por pesadelos terríveis! A minha adrenalina ao chegar na última forma do Nightmare, passou dos oito mil lá nos meus cinco anos de idade.

As sensações que eu senti durante a parte final desse jogo ainda aquecem o meu coração, para ser sincero. E, a bem da verdade, meus brothers, essa é a primeira memória que tenho referente a atingir algum objetivo através do meu próprio esforço.

Nesse dia, eu confesso, eu não me lembro se estava fazendo frio ou calor, ou nenhum outro detalhe nesse sentido, mas lembro claramente da minha sensação e do momento exato em que, eu conduzi o Kirby, empunhando a sua star rod, a jogar sua última última estrela no corpo do chefe final, causando um cataclisma tão grande a ponto de chegar a explodir parte da lua (????).

Kirby e Memória Afetiva
É…. Pois é.

O conceito de um jogo de videogame ter algum tipo de créditos finais era algo ainda alienígena para mim, eu nunca tinha chegado nessa parte em nenhum outro jogo na minha vida, tampouco vi meus pais alcançarem isso enquanto jogavam.

Ao ver a cena final e os créditos do jogo, eu me senti empoderado, eu me senti extremamente orgulhoso e eu senti…. Estranhamente melancólico. Sobre essa última sensação talvez eu trabalhe um pouco em alguma outra coluna, mas é uma melancolia diferente que eu sinto em fechamento de ciclos na minha vida e com games isso não é diferente.

A partir desse dia, a franquia Kirby tornou-se a minha favorita da Nintendo e ela representa o que faz um jogo de videogame ser tão incrível para mim. É impressionante como ela sempre evoca todas essas sensações e muito mais em um misto de nostalgia e felicidade na medida certa.

Kirby’s Adventure, especificamente, é para mim o jogo que mais resgata essa sensação gostosa de infância; Uma vez que ele é um jogo que desnuda o meu senso analítico de videogames que o meu dia a dia no trabalho exige, me permitindo aproveitar e imergir em um jogo totalmente mesmo com todas as suas falhas.

Tenho para mim que todos nós temos games que fazem parte da nossa memória afetiva. Games que estão intimamente ligados a momentos importantes de nossa vida e que, inclusive, mexem com o nosso emocional; Eu me sinto privilegiado de ter sido um jogo do Kirby o responsável por ter dado o pontapé inicial nisso tudo para mim e ter ajudado tanto a moldar o meu gosto para videogames. Eu me sinto dessa forma porque ela é uma franquia que não está esquecida em um canto qualquer pela Nintendo, acumulando pó.

Sempre que um jogo novo do Kirby é lançado, eu sei que este será um jogo que vai pelo menos me arrancar um sorriso durante a jogatina, seja ele qual for.

O impacto de ter zerado Kirby’s Adventure sozinho foi tão profundo em mim que eu teria uma trajetória completamente diferente nesse hobby caso tivesse zerado outro jogo em seu lugar. Essa é uma influência que eu sinto até hoje em minhas preferências para videogames.

Jogos de plataforma e que possuam gráficos bem trabalhados sempre capturam o meu interesse. Eu diria que as minhas preferências orbitam um lado mais infantil em relação aos gráficos, onde eu prefiro jogar algo com visual mais simples, porém, com uma direção de arte interessante a jogar os jogos que focam no hiper-realismo (nada contra estes jogos, claro. Eu também jogo muito esses jogos que optam por essa direção de arte).

Kirby e Memória Afetiva
Por que o Kirby tem que destruir o sol e a lua? Ninguém sabe. Mas olha que dahora esses sprites! Eu amo as expressões desse chefe!

E não são apenas os gráficos que me marcaram nesse jogo; A trilha sonora upbeat, com todas as suas nuances, criada pelos incríveis Jun Ishikawa e Hirokazu Ando exala carisma. O gameplay que não é exigente, mas que se mostra divertido pelo uso dos diferentes poderes do Kirby, também é algo que sempre me marcou bastante. Kirby’s Adventure oferece um misto de desafio e diversão em um equilíbrio fora do comum. É uma mistura rara.

Não sei se escrever sobre as minhas memórias do Kirby’s Adventure estão sendo tediosas para o leitor (e sinto muito mesmo por isso!), mas sim… Essa coluna de hoje é uma coluna recheada de saudade. Essa, porém, é uma saudade boa, daquelas que preenche o coração e nos faz lembrar das melhores partes das nossas vidas.

Digo isso porque esse é o jogo que traz de volta as cores para a minha vida quando tudo está meio nebuloso por conta do estresse, seja do meu trabalho, seja da vida adulta no geral.

Eu joguei ele novamente até o final para escrever esta coluna, tentando olhar para ele com uma visão mais recente, contando com os meus quase 30 anos jogando videogames, trabalhando nessa indústria e ao fazer esse processo, eu percebi que há certos jogos que têm esse poder de fazer com que a gente volte à raiz de todo o amor que a gente tem por esse hobby, não importa o quanto tempo passe… E Kirby’s Adventure é um dos jogos que faz isso por mim sem a menor sombra de dúvidas.

Kirby e Memória Afetiva
Ta ai o bichão que mudou tudo para mim.

Tudo nesse jogo remete àquele tempo de descobertas e definição do que eu viria a gostar ou não gostar nesse hobby. Jogar Kirby’s Adventure sempre me traz essa sensação de como é jogar um console de videogame pela primeira vez. 

Nesse sentido, há um contraste muito claro quando se está jogando pela primeira vez e quando você permanece neste hobby 30 anos depois. As preferências de jogar mudam, o tempo disponível para jogar muda, as obrigações do nosso dia-a-dia mudam, o nosso acesso aos jogos no geral muda e, claro, o nosso jeito de jogar também muda.

Mas… Mesmo depois de transcorrido tanto tempo, como esquecer dos personagens memoráveis dessa franquia? O Kirby pode até ser o protagonista e ser a face da série, mas há diversos outros personagens inesquecíveis da série que foram introduzidos no Kirby’s Adventure.

Deuteragonistas, como o Meta Knight, um dos queridinhos dos fãs da série Kirby, surgiu nesse jogo, onde ele desafia o nosso protagonista rosa para um duelo de espadas em sua nave, estacionada em Orange Ocean.

Chefes como Sun & Moon, que eu já mostrei em imagem aqui anteriormente, alternando constantemente entre o dia e a noite para atacar o Kirby, além do Paint Roller, um exímio artista de patins capaz de trazer à vida qualquer coisa que ele desenhe são exemplos de chefes de design simples, mas que cumprem bem a sua proposta de trazer um desafio à altura de jogadores iniciantes.

E eu poderia passar uma coluna inteira falando do rei Dedede, que não é apenas um dos meus personagens principais da série Kirby, mas de todos os jogos. O Dedede possui um papel vital em Kirby’s Adventure que eu só fui entender depois de ter jogado esse jogo novamente após ter aprendido inglês e eu lembro de ter ficado sentido com o papel do personagem nesse jogo. Eu pensei que ele era apenas um vilão egoísta, mas no fundo ele realmente estava tentando ajudar Dreamland do seu próprio jeito.

Todos temos um jogo que faz isso com a gente, que nos marcam de uma forma que torna impossível desvencilhá-lo de alguma memória afetiva ou que a gente se pega pensando sobre um momento, um personagem, uma música, uma parte da história… Apresentei na coluna de hoje o primeiro jogo do qual eu tenho uma forte memória afetiva, mas eu tenho muitos outros e pretendo trazê-los aqui vez ou outra… Quem sabe não é uma boa?

Mas por hoje já deu de falar sobre Kirby’s Adventure… Então vou ficar por aqui, meus caros.

Mas e vocês? Vocês ainda se lembram qual foi o jogo que terminaram primeiro? Como foi essa sensação?

Kirby e Memória Afetiva
Falou, galera. Vejo vocês em outra coluna! 

[A coluna acima reflete a opinião do redator e não do portal Project N]